Ataque russo expõe racha entre China e Ocidente
Enquanto aliados da Ucrânia defendem novas sanções e liberdade para atacar alvos na Rússia, China reafirma apoio a Putin e diz que não aceitará derrota de Moscou
As reações ao maior ataque aéreo russo desde o início da guerra, realizado na madrugada desta quinta-feira, 4, revelaram um novo estágio de tensão internacional.
Líderes ocidentais condenaram a investida como uma demonstração de desprezo por qualquer perspectiva de cessar-fogo e prometeram ampliar o apoio à Ucrânia.
Em paralelo, a China afirmou que uma derrota militar da Rússia “não pode ser permitida”, escancarando a dimensão geopolítica da guerra.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os bombardeios como “um sinal claro para intensificarmos nosso apoio à Ucrânia” e defendeu o fortalecimento das capacidades de defesa do continente.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o ataque representa “uma zombaria da paz”. Alemanha e França reiteraram que não há restrições ao uso, por parte de Kiev, de armamentos ocidentais contra alvos militares em território russo.
O Reino Unido, por meio de seu representante na Organização para Segurança e Cooperação na Europa, James Ford, declarou que a Rússia “não está sendo séria sobre a paz” e sugeriu a imposição de novas sanções em resposta à ofensiva.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, anunciou aumento significativo das defesas aéreas da aliança, afirmando que os países membros precisam “ser capazes de se proteger de ataques como os que vemos diariamente sobre a Ucrânia”.
Na Ásia, o chanceler chinês Wang Yi declarou a diplomatas da União Europeia que Pequim “não pode permitir que a Rússia perca” a guerra, porque isso levaria os Estados Unidos a concentrarem sua atenção na Ásia-Pacífico.
A fala reforçou a percepção, entre diplomatas ocidentais, de que a China considera o prolongamento do conflito benéfico para seus próprios interesses estratégicos. A declaração foi recebida com surpresa em Bruxelas e indica alinhamento explícito com Moscou.
O presidente americano Donald Trump, por sua vez, afirmou que os Estados Unidos “esvaziaram nosso país inteiro dando armas a eles”, em referência à Ucrânia.
A Casa Branca confirmou a suspensão parcial da ajuda militar a Kiev, citando a necessidade de “priorizar os interesses da América”.
A resposta ucraniana incluiu ataques com drones contra alvos na região de Moscou e em Rostov, no sul da Rússia.
Segundo autoridades russas, uma subestação de energia foi danificada, deixando milhares sem eletricidade, e uma pessoa morreu.
Os ataques, embora menores em escala, demonstram a capacidade de retaliação de Kiev mesmo diante da redução no fornecimento de armamentos estratégicos.
Diplomatas turcos reafirmaram a disposição do país em sediar novas rodadas de negociação, mas não houve resposta de Moscou nem de Kiev até o momento.
A posição do Brasil segue inalterada, com condenações protocolares à invasão, sem sanções nem envio de armas. Índia, Japão e Coreia do Sul também reagiram, com Seul classificando como “ato criminoso” o anúncio de que a Coreia do Norte enviará tropas para apoiar a Rússia.
A nova onda de declarações evidencia o impasse internacional: enquanto a Rússia se fortalece com o apoio chinês, os Estados Unidos recuam e a Europa tenta preencher o vácuo, intensificando seu protagonismo na resposta ao conflito.
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Comentários (3)
Márcio Roberto Jorcovix
04.07.2025 15:00Principalmente Finlândia, Noruega, Lituânia e Estônia devem colocar as barbas de molho. Depois da Ucrânia o Putin vai pra cima destes países e eles sabem disto
Rosa
04.07.2025 11:50A menos que algo muito inusitado aconteça, a Rússia vai dominar a Ucrânia, sem apoio dis US e a Europa não se mexendo como seria necessário....
Clayton De Souza pontes
04.07.2025 08:46Essa guerra ainda vai longe. Pobre Ucrânia