China diz que não pode aceitar derrota da Rússia na guerra
Potências reagem ao maior ataque aéreo russo com novas ameaças de sanções e reforço militar à Ucrânia
A ofensiva aérea lançada pelo governo russo na madrugada de quinta, 4, contra cidades ucranianas provocou reações imediatas de governos ocidentais e revelou uma declaração inédita da diplomacia chinesa.
Enquanto o Ocidente reforça o apoio a Kiev, Pequim afirmou que uma derrota de Moscou na guerra não é aceitável.
O representante do governo britânico na OSCE, James Ford, declarou que os ataques mostram que o governo russo “não está sendo sério sobre a paz”.
Para Ford, Moscou aproveita a distração internacional com outros conflitos para ampliar suas ofensivas e afirmou que o Reino Unido está “pronto para agir com parceiros para introduzir novas sanções” caso a Rússia continue ignorando apelos por cessar-fogo.
Na União Europeia, a chefe da diplomacia Kaja Kallas classificou os bombardeios como “uma zombaria da paz, não um desejo por ela”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o ataque é um “sinal claro para intensificarmos nosso próprio apoio, fortalecendo nossas capacidades de defesa europeias”.
Alemanha e França reiteraram que a Ucrânia tem liberdade para usar armamentos ocidentais contra alvos militares em território russo. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que “não há restrições sobre as armas fornecidas à Ucrânia” por parte de Berlim, Paris ou Londres.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que os EUA “esvaziaram nosso país inteiro dando armas a eles”, referindo-se aos envios de equipamentos a Kiev.
A Casa Branca confirmou a suspensão temporária da ajuda militar, justificando a medida com base na necessidade de “priorizar os interesses da América”.
China segue apoiando a Rússia
O chanceler chinês Wang Yi afirmou que a China “não pode permitir que a Rússia perca na Ucrânia”, segundo matéria do South China Morning Post.
Segundo o chanceler chinês, o conflito mantém os Estados Unidos focados na Europa e, caso Moscou seja derrotada, Washington “começará a colocar toda sua atenção no Pacífico”.
A declaração foi recebida com surpresa por autoridades de Bruxelas e evidencia os cálculos estratégicos de Pequim.
A Turquia reiterou sua disposição de sediar negociações de paz.
O ministro Hakan Fidan afirmou que Ancara está “sempre pronta para sediar negociações” e espera que elas “levem rapidamente a um cessar-fogo, seguido de paz duradoura”.
O governo Lula condena de maneira protocolar a invasão russa, mas evita fornecer armas ou adotar sanções.
A Índia, por sua vez, continua sua estratégia de equilíbrio entre as partes, sem condenações formais a Moscou.
Japão e Coreia do Sul reagiram ao anúncio de que a Coreia do Norte enviará tropas para apoiar a Rússia. O governo sul-coreano classificou a iniciativa como “um ato criminoso” e alertou que isso “perpetua a guerra Rússia-Ucrânia”.
A OTAN anunciou o aumento em cinco vezes das capacidades de defesa aérea entre seus membros.
Segundo o secretário-geral Mark Rutte, a aliança precisa “ser capaz de se defender de ataques como os que vemos diariamente sobre a Ucrânia”.
Na África, a maioria dos países continua dividida nas votações da ONU. A União Africana mantém uma posição descrita por diplomatas europeus como “neutralidade tática”, o que tem frustrado governos ocidentais.
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