The Chosen escolhe Matera para a cena mais impactante da série
Cenário de filme bíblico surpreende com visual milenar
Localizada no coração da região da Basilicata, ao sul da Itália, Matera é reconhecida internacionalmente por seu cenário inconfundível, onde casas escavadas na rocha compõem uma paisagem que remete ao passado mais remoto da humanidade. Entre ruas labirínticas e paredes de pedra, esta cidade desponta mais uma vez no centro das atenções ao servir como pano de fundo para uma das cenas mais dramáticas da próxima temporada de The Chosen: a crucificação de Jesus. O impacto da escolha de Matera vai além da beleza visual, oferecendo autenticidade histórica e misticismo únicos aos projetos audiovisuais que retratam narrativas bíblicas.
A força desse local se evidencia não apenas na estética, mas também na atmosfera carregada de séculos de história. O reconhecimento internacional de Matera como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO reforça seu valor cultural, fator determinante para sua seleção em produções grandiosas, como A Paixão de Cristo, dirigida por Mel Gibson em 2004, e, agora, em The Chosen. Matera reúne características raras: ruas que parecem congeladas no tempo, uma luminosidade natural que imprime sobriedade às cenas e cavernas milenares que colaboram na reconstrução fidedigna dos eventos do século I.
O que torna Matera tão especial para o cinema religioso?
Desde os tempos paleolíticos, há evidências de presença humana em Matera. No entanto, foi apenas no século III a.C. que a cidade foi formalmente fundada pelos romanos sob o nome de Metheola. Atualmente, com cerca de 60 mil habitantes, Matera preserva construções escavadas em pedra conhecidas como Sassi, que atraem cineastas do mundo inteiro à procura de um cenário capaz de representar a antiga Jerusalém. Essas estruturas conferem autenticidade a qualquer relato ambientado em épocas antigas, transportando atores e espectadores diretamente para o contexto bíblico.
Ao sediar cenas de grande impacto emocional como as filmagens da sexta temporada de The Chosen que narram a crucificação, Matera oferece mais do que uma locação: torna-se elemento narrativo fundamental. O diretor Dallas Jenkins enfatiza os desafios logísticos e o simbolismo de escolher o mesmo local que Mel Gibson utilizou em sua produção icônica, argumentando que a cidade proporciona um horizonte visual do primeiro século, sem perder o caráter remoto e atemporal.
Como será abordada a crucificação na quinta temporada de The Chosen?
A quinta temporada marca um novo ponto inflexão para The Chosen. Enquanto os episódios anteriores abordaram o início do ministério de Jesus, a formação do grupo dos discípulos e os episódios conhecidos como milagres, a fase agora se aprofunda no momento mais decisivo do relato evangélico: traição, julgamento, sofrimento e a morte na cruz.
- O enredo passará por episódios como a oração no Jardim do Getsêmani.
- A traição de Judas e a prisão de Jesus também terão destaque.
- O julgamento diante do Sinédrio e de Pilatos antecederá a crucificação.
O planejamento detalhado desse segmento inclui uma semana inteira de gravações noturnas, refletindo tanto a exigência técnica da cena quanto a preocupação em evocar o clima autêntico da narrativa original. A escolha por Matera amplia a força visual da sequência, reforçando aspectos históricos e simbólicos do momento representado.
Quais outras produções já retrataram a Jerusalém bíblica em Matera?
A trajetória de Matera como cenário de filmes religiosos é ampla. Além de A Paixão de Cristo, obras como O Evangelho segundo São Mateus (1964), dirigido por Pier Paolo Pasolini, e Maria Madalena (2018), com Rooney Mara e Joaquin Phoenix, também escolheram a cidade pelo seu visual autêntico. A identificação de Matera como possível “personagem” das histórias bíblicas se deve ao seu relevo irregular, à presença de cavernas ancestrais e à iluminação natural que cria uma atmosfera sóbria e contemplativa.
Essa predileção por Matera se explica pela preservação rigorosa de suas origens, um contraste evidente com contextos urbanizados modernos. Mel Gibson, responsável por uma das adaptações mais marcantes da paixão de Cristo, afirmou que viver e filmar ali o fazia sentir-se envolto em uma cultura ancestral, onde cada parede e cada rocha carregam histórias milenares.
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