Diddy é condenado por explorar mulheres em festas privadas
Rapper foi considerado culpado por levar mulheres a encontros sexuais e absolvido das acusações de tráfico humano; apoiadores se banharam em óleo de bebê ao sair do tribunal
O veredito parcial no julgamento de Sean “Diddy” Combs foi anunciado nesta quarta, 2 de julho, em Nova York.
O produtor musical foi considerado culpado por violar a Lei Mann, que proíbe o transporte interestadual de pessoas com objetivo de exploração sexual.
O júri, no entanto, absolveu o rapper das acusações mais graves de tráfico humano e conspiração. A decisão provocou reações fortes dentro e fora do tribunal.
A jornalista americana Megyn Kelly, ex-apresentadora da Fox News, classificou o resultado como “absolutamente ridículo”. Segundo ela, Diddy escapou de ser processado por agressão porque comprou uma gravação em que aparecia espancando uma das vítimas.
Esse vídeo teria sido mantido fora do alcance das autoridades com apoio de seus seguranças.
De acordo com a legislação da Califórnia, o prazo para apresentar acusações por agressão física é de apenas um ano. Sem acesso ao material nesse período, os promotores perderam a oportunidade de denunciá-lo.
“Ele definitivamente agrediu Cassie Ventura. Agrediu também uma mulher identificada como Jane. Mas era famoso, e o júri não quis condená-lo”, afirmou. “Vou fazer disso uma missão pessoal. Quero manter a humilhação dele na mente de todos os americanos.”
A atriz Rosie O’Donnell também criticou o veredicto. “Um júri nunca quer acreditar que uma mulher permanece com o agressor por causa de poder ou coerção. Acham que é por dinheiro, fama ou porque elas gostam do abuso. Que piada. Estou com raiva.”
O rapper 50 Cent ironizou a decisão. “Diddy derrotou os federais. Esse cara é perigoso. É tipo o John Gotti gay”, escreveu nas redes sociais, comparando o produtor ao mafioso americano que ficou famoso por escapar de condenações.
O advogado de Cassie Ventura, Douglas H. Wigdor, disse que sua cliente teve papel central para o andamento do caso. “Cassie abriu caminho para a condenação. Embora o júri não tenha considerado Diddy culpado por tráfico sexual, ele foi condenado por levar mulheres a encontros sexuais remunerados. Ela deixou uma marca indelével na indústria do entretenimento e na luta por justiça. Vamos continuar lutando em nome dos sobreviventes.”
Após o anúncio da decisão, apoiadores de Diddy comemoraram em frente ao tribunal se banhando com óleo de bebê.
A cena fazia referência direta às festas promovidas por ele, conhecidas como “freak offs”, mencionadas nos autos como eventos com consumo de drogas, exploração de mulheres e registros em vídeo.
Durante as investigações, mais de mil frascos de óleo foram apreendidos em residências ligadas ao produtor.
O juiz responsável pelo caso negou o pedido de fiança e manteve Diddy preso.
A audiência de sentença foi marcada para 3 de outubro. Cada uma das duas condenações pela Lei Mann pode resultar em até 10 anos de prisão. O Ministério Público indicou que deve pedir pouco mais de quatro anos.
Outras ações civis contra o artista seguem em andamento.
A condenação parcial expõe as dificuldades de responsabilizar figuras influentes por crimes sexuais, mas também representa um passo inédito para vítimas do meio artístico.
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