BBC é investigada após exibir grito por morte de soldados de Israel
Rabino-chefe do Reino Unido fala em “vergonha nacional”; polícia e agência reguladora apuram incitação ao ódio
A emissora pública britânica BBC está sendo investigada após transmitir ao vivo, no sábado, 29, durante o festival Glastonbury, a apresentação do rapper Bob Vylan, que levou o público a gritar “morte, morte à FDI” (Forças de Defesa de Israel).
O conteúdo permaneceu disponível por cerca de cinco horas na plataforma BBC iPlayer.
O rabino-chefe do Reino Unido, Ephraim Mirvis, afirmou: “Este é um tempo de vergonha nacional. A exibição do ódio aos judeus e a resposta tardia da BBC reduziram a confiança do público na emissora a um novo patamar.”
Ele escreveu também: “Basta apresentar incitação à violência como comentário político para que muitos aplaudam e repitam. O ódio aos judeus é uma ameaça para toda a sociedade.”
A Ofcom, agência que regula o setor de comunicações, disse que a emissora “tem explicações a dar” e solicitou informações urgentes sobre os protocolos da transmissão.
A polícia de Avon e Somerset classificou o caso como incidente de ordem pública e abriu investigação por possível crime de ódio. Um delegado sênior foi designado para o inquérito.
O diretor-geral da BBC, Tim Davie, estava no festival e determinou que a apresentação não fosse disponibilizada sob demanda.
A emissora admitiu falha por não ter interrompido a transmissão ao vivo.
Em nota, a BBC afirmou: “Os gritos foram inaceitáveis e não têm lugar em nossa programação. Deveríamos ter interrompido a transmissão no momento em que o conteúdo foi exibido.”
A ministra da Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, declarou no Parlamento: “O episódio mostra um problema de liderança na BBC.”
Deputados cobraram medidas disciplinares contra Tim Davie, e o sindicato da emissora exigiu sua demissão.
Durante o show, Bob Vylan também atacou um executivo judeu da indústria fonográfica. Dois dias depois, os Estados Unidos revogaram seus vistos e cancelaram sua turnê no país.
O festival Glastonbury foi citado em ameaças de grupos extremistas após o massacre promovido pelo Hamas no festival Nova, em Israel, em 2023, que deixou centenas de mortos.
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