Roberto Reis na Crusoé: Não é a direita que vai ganhar a eleição de 2026
Quem vai ganhar é o Centrão. Só não ganha se for bobo. E o próximo presidente precisará ser um fenômeno de engenharia política, não de carisma
Em política, tamanho importa, e o Brasil é, acima de tudo, um problema de escala. São 203 milhões de habitantes, espalhados por 8,5 milhões de km2, divididos em 5.569 municípios, segundo o dado de 2024 do IBGE.
Um país que não cabe em conjecturas de redes sociais, nem em podcasts de nicho. Eleição aqui não se ganha com trendings. Se ganha com prefeitos. Hoje, o comando dessas prefeituras é praticamente monopólio de um só bloco: o Centrão.
São absurdas 4.023 prefeituras sob controle direto. Isso significa 72% de todas as prefeituras do país. Sim, três em cada cado. Um poderio que nunca foi tão grande. Nunca tão consolidado. Nunca tão pronto para decidir a sucessão presidencial de 2026.
Política verdadeira
A política verdadeira passa longe dos gabinetes climatizados de Brasília e das bolhas ideológicas de redes sociais. Ela acontece na estrada de chão batido, na escola com aula multisseriada, no hospital sem tomógrafo. Quem manda nas cidades, manda na eleição. Nossa lógica eleitoral é municipalista.
Quer mais contexto? Vamos à anatomia demográfica do país: a média populacional dos municípios brasileiros gira em torno de 36,7 mil habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022. Mas essa média esconde um Brasil distorcido: quase 71% dos municípios têm menos de 20 mil habitantes.
Um país de extremos: de um lado, grandes centros urbanos concentrando fatias gordas da população; de outro, milhares de pequenas cidades espalhadas, onde o poder de um prefeito é absoluto e incontestável.
O tamanho da máquina não é detalhe. É a regra do jogo de 2026. Por isso Lula não reclama quando vê um cacique, que se finge aliado do seu governo, flertando com o adversário. O petista é um refém, passageiro de agonia.
Os trunfos do Centrão
E tem mais: o Centrão tem o cofre…
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