EUA vencem no Irã, mas perdem nas manchetes
Bombardeios obliteraram programa nuclear iraniano, mas campanha de deslegitimação tenta transformar sucesso militar em derrota
Os Estados Unidos destruíram as principais instalações nucleares do Irã.
Os alvos em Natanz, Fordow e Isfahan foram atingidos com precisão por 14 bombas de 13 toneladas. A ação desarticulou a capacidade técnica do regime dos aiatolás de obter uma bomba atômica em curto prazo.
A ofensiva americana seguiu ataques israelenses que seguiram a chamada Doutrina Begin, que autoriza ataques preventivos contra regimes que negam a exisência de Israel e buscam armas de destruição em massa.
A doutrina já foi aplicada por Israel em 1981 contra o reator de Osirak e em 2007, contra um reator sírio. Agora, contra o Irã. Mas a reação mais forte não partiu diretamente do inimigo.
A reação mais feroz veio de editoriais, ONGs e diplomatas. As acusações variam: “desproporcionalidade”, “violação do direito internacional”, “escalada desnecessária”. O objetivo é minar a legitimidade da operação.
Essa tática é uma velha conhecida.
O historiador Max Boot, em Invisible Armies, afirma: “Insurgentes não precisam vencer militarmente; precisam apenas minar a vontade do inimigo de continuar lutando”.
Foi assim no Vietnã. A ofensiva do Tet, militarmente desfavorável aos vietcongues, virou ponto de inflexão na guerra por causa da cobertura jornalística.
Boot resume: “Em guerras de guerrilha, a percepção é mais poderosa que a realidade”. E acrescenta: “A única forma de vitória para o insurgente é transformar o sucesso militar do inimigo em derrota política”.
É exatamente o que ocorre agora.
Desinformação e guerrilha
Desinformação não é apenas mentira.
É a manipulação planejada de informações reais, truncadas ou deslocadas de contexto para produzir uma percepção falsa.
Em vez de inventar dados, ela reorganiza elementos verdadeiros de forma seletiva, induzindo o público a conclusões equivocadas sem perceber o artifício.
Seu poder está na aparência de legitimidade: fatos isolados são enfatizados, conexões essenciais são omitidas e os critérios de julgamento são invertidos.
O efeito não é apenas confundir, mas desorientar.
Quem é vítima da desinformação não percebe que foi enganado. Pelo contrário, acredita ter chegado à própria opinião por meio de fatos, quando na verdade assimilou uma narrativa construída para induzi-lo.
O Irã não precisou lançar mísseis. Basta ver enquanto setores da imprensa e da diplomacia ocidental questionam a ação americana.
Não há necessidade de coordenação. A máquina de desinformação se alimenta sozinha.
A estratégia é simples: paralisar as democracias por dentro, usar seus próprios valores, como liberdade de imprensa, autocrítica, pluralismo, como obstáculos à defesa.
O ministro nazista Joseph Goebbels dizia: “A imprensa deve ser tocada como um piano”.
Hoje, quem quer tocar a sinfonia macabra iraniana são colunistas ocidentais que relativizam os crimes dos aiatolás e criminalizam a reação ocidental.
A guerra aérea no Irã foi vencida. Mas o front mais decisivo permanece aberto nas redes, nos fóruns multilaterais e nos jornais. E o verdadeiro teste da Doutrina Begin não é militar, mas moral.
Se o Ocidente não defender suas vitórias, o inimigo não precisa mais lutar. Basta esperar que a narrativa faça o trabalho.
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Comentários (3)
MARCOS
25.06.2025 10:22IMPRENSA LIXO.
MARCOS
25.06.2025 10:20ONGS LIXOS, DIPLOMATAS LIXOS.
Carlos Renato Cardoso Da Costa
25.06.2025 07:41Dentre todos os inimigos, o traidor é o mais perigoso.