Rodolfo Borges na Crusoé: A insustentável leveza de ser tricampeão mundial
“No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma responsabilidade insustentável. É isso que levava Nietzsche a dizer que a ideia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos”, diz Milan Kundera no início de A Insustentável Leveza do Ser (Companhia das Letras), ao refletir sobre a teoria de Nietzsche, segundo a qual “tudo vai se repetir...
“No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma responsabilidade insustentável. É isso que levava Nietzsche a dizer que a ideia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos”, diz Milan Kundera no início de A Insustentável Leveza do Ser (Companhia das Letras), ao refletir sobre a teoria de Nietzsche, segundo a qual “tudo vai se repetir como foi vivido e que tal repetição ainda vai se repetir indefinidamente”.
É uma questão filosófica, mas, quando a Fifa dá início a um Mundial de Clubes nos moldes de uma Copa do Mundo de seleções, eu, um são-paulino mal acostumado pelas glórias do passado, me questiono, a partir da provocação nietzschiana, quando vou experimentar o sentimento de conquistar o mundo mais uma vez.
É disso que sobrevive o torcedor do São Paulo hoje. Três títulos mundiais, contra três dos maiores clubes europeus da história, Barcelona, Milan e Liverpool. É algo que nenhuma outra agremiação brasileira alcançou, e provavelmente nunca alcançará, por conta do abismo que se abriu entre o futebol praticado na América do Sul e na Europa.
Soberano
“A ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semirreal, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes”, diz Kundera ao introduzir a história de Tomas, o mulherengo descompromissado que protagoniza seu livro.
Depois de ser tricampeão mundial e conquistar o tricampeonato brasileiro de forma consecutiva, outra proeza ainda não igualada, o São Paulo se tornou leve demais, até o ponto de beirar a insignificância. O soberano, como o clube passou a se chamar…
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