Canadá copia Trump e impõe nacionalismo industrial em defesa do aço
Governo Carney adota cotas, tarifas e preferência a fornecedores locais para reagir a tarifas americanas
Embora liderado por progressistas, o país adotou integralmente a cartilha trumpista da industrialização baseada em nacionalismo econômico, tarifas e intervenção direta do Estado.
As novas regras entram em vigor em 30 de junho e incluem cotas tarifárias equivalentes a 100% dos volumes de 2024 para importações de países sem acordos de livre comércio. As cotas serão retroativas e revisadas em 30 dias.
O governo também adotará medidas para restringir o acesso de fornecedores estrangeiros a contratos públicos federais, exceto os de países com reciprocidade. Além disso, estuda ampliar o uso de aço e alumínio canadenses em obras públicas financiadas por verbas federais.
O pacote foi detalhado pelo ministro das Finanças e da Receita Nacional, François‑Philippe Champagne.
Segundo ele, a prioridade é proteger empregos e estabilizar o mercado diante das tarifas americanas que dobraram para 50%, anunciadas por Donald Trump em 4 de junho.
O primeiro-ministro Mark Carney condicionou qualquer flexibilização à assinatura de um novo acordo econômico e de segurança com os Estados Unidos.
O prazo para um entendimento, segundo o governo canadense, é 21 de julho. Caso não haja avanço, o Canadá promete retaliar com novas tarifas.
Com ares de política industrial, o plano também prevê a criação de grupos de trabalho específicos para aço e alumínio, além de uma linha de crédito de 10 bilhões de dólares canadenses para grandes empresas afetadas pelas medidas dos Estados Unidos.
Ao reagir às tarifas de Trump, o governo que se apresenta como defensor do “multilateralismo” passou a adotar os mesmos instrumentos protecionistas que antes criticava.
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