“Não há negociação com quem acredita que sua missão divina é apagar os judeus da Terra”
Melanie Phillips, jornalista britânica e comentarista política, denuncia a ascensão do antissemitismo no Ocidente e a indiferença diante da ameaça iraniana a Israel
A colunista britânica Melanie Phillips participou de uma longa entrevista com o editor Brendan O’Neill no podcast The Brendan O’Neill Show, publicado nesta semana pelo portal Spiked.
O episódio, gravado diretamente de Israel, traz reflexões sobre a guerra com o Irã, a crise moral do Ocidente e o avanço do antissemitismo global. O título do episódio é “Melanie Phillips: Israel, Iran and the War for the West” (“Melanie Phillips: Israel, Irã e a guerra pelo Ocidente”).
Logo no início, Phillips rejeita a ideia de que a recente ação militar de Israel contra o Irã tenha sido “um ataque surpresa”.
Para ela, o ataque israelense foi uma resposta tardia, porém inevitável, diante de “uma crise existencial” provocada pelo avanço do programa nuclear iraniano.
Israel agiu, segundo Phillips, com base em informações de inteligência que indicavam que o Irã já dominava a capacidade de acoplar material nuclear a mísseis balísticos fabricados a um ritmo de 300 por mês: “Cada míssil podia carregar uma tonelada de explosivos.”
A operação militar, diz ela, foi um sucesso técnico sem precedentes: “A audácia, a inteligência e o brilhantismo da operação deixaram o regime iraniano em caos e confusão por horas.”
Ela afirma que agentes do Mossad estavam infiltrados no Irã há duas décadas e ativaram redes secretas de drones e sabotagem.
Phillips rejeita com veemência a narrativa de que Israel iniciou uma guerra de agressão.
“O que foi lançado em 7 de outubro de 2023 foi a primeira ofensiva de um ataque final do Irã para exterminar Israel.” Segundo ela, o Irã comandava uma guerra em sete frentes com o objetivo de cercar Israel com um “anel de fogo” que levaria o país à destruição.
Ela critica duramente os governos ocidentais, inclusive os EUA, por ignorarem a ameaça iraniana ao longo de décadas. “A escolha do Ocidente foi negociar com o Irã, um regime de fanáticos religiosos que acreditam que trarão o messias xiita com o apocalipse.”
Melanie diz que até Donald Trump, que ela reconhece como um amigo de Israel, falhou ao insistir em buscar um “grande acordo” com os aiatolás. “Não há negociação possível com um regime que acredita que sua missão divina é apagar os judeus da Terra.”
Sobre a reação internacional, ela denuncia o que considera uma inversão moral no Ocidente: “Estamos vivendo um momento em que o ódio assassino foi moralizado.”
Para ela, instituições como a ONU e ONGs de direitos humanos atuam como propagandistas do Hamas. “Tudo aquilo que representava consciência se virou para o mal.”
A entrevista aprofunda o vínculo entre o antissionismo e o antissemitismo moderno. “Não há outro povo ou nação na Terra que seja singularmente desumanizado como os judeus e como Israel.”
Segundo ela, a demonização de Israel é um novo capítulo de uma velha obsessão: “O antissemitismo não é apenas preconceito. É a convicção de que os judeus são demoníacos, poderosos e perigosos.”
Phillips cita episódios recentes nos EUA e Europa como prova do recrudescimento antissemita: judeus baleados, queimados vivos, e os cartazes dos reféns arrancados com ódio irracional.
“Querem arrancar os judeus de suas vidas, de suas consciências, do seu mundo. Querem que os judeus desapareçam“, afirmou.
A seu ver, essa fúria nasce de uma cultura de vitimismo que se recusa a aceitar qualquer responsabilidade moral: “Ser vítima significa estar acima de qualquer julgamento moral. E isso faz dos judeus, que insistem em sua própria sobrevivência, o alvo a ser destruído.”
Phillips faz duras críticas ao Partido Democrata dos EUA e ao Partido Trabalhista britânico, que ela acusa de abandonarem completamente o senso de verdade e moralidade.
Ela vê em Israel o último bastião de valores ocidentais: “Israel ama o que é. Acredita na vida. E por isso vai vencer.”
A jornalista conclui dizendo que, apesar da guerra e do medo diário dos mísseis iranianos, sente-se mais segura vivendo em Israel do que no Reino Unido: “A nação mais traumatizada da Terra está cheia de coragem, otimismo e vontade de viver.”
Quem é Melanie Phillips
Melanie Phillips é uma jornalista e autora britânica, formada em Oxford.
Iniciou a carreira no The Guardian e se tornou colunista de jornais como Daily Mail e The Times.
Seu livro mais conhecido é The World Turned Upside Down (“O mundo de cabeça para baixo”), de 2010. Vive atualmente em Israel, onde atua como comentarista política e analista de assuntos internacionais.
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