Bryan Johnson propõe religião para alinhar IA e culto ao corpo
Quando um esquisitão com muito dinheiro encontra outros esquisitões com muito tempo, um culto sem pé nem cabeça é inventado
Bryan Johnson é um influenciador multimilionário conhecido por seus investimentos em longevidade. Agora, anunciou a fundação de uma nova religião, batizada de “Não Morra” (ou Don’t Die). Ele pretende redefinir a relação humana com o próprio corpo e “alinhar”, não os chacras, que isso é coisa antiga, mas a inteligência artificial com a preservação da existência humana.
Johnson já investiu milhões em exames e rotinas de vida projetadas para reverter (não apenas retardar: reverter) o envelhecimento. Ele acredita (ou vende bem a crença) que a estrutura de uma religião é a forma mais eficaz para organizar os esforços humanos em um cenário como esse.
Ele argumenta, sem muita cerimônia, que só a adesão religiosa tem peso ou poder para lidar com os desafios impostos pela IA. Então, vamos nos tornar cristãos, budistas ou muçulmanos? Nah! Vamos encarar a missão da “Não Morra” e garantir a sobrevivência (corporal) da espécie. Caso você tenha curiosidade, há um documentário (Netflix) sobre sua, digamos, jornada espiritual, chamado “O homem que quer viver para sempre”. Por sua conta e risco, leitor.
A divindade do corpo e o que tem a IA que ver com isso
A filosofia básica da religião “Não Morra” propõe o seguinte: o corpo é Deus. (Originalíssimo, não? Ninguém nunca propôs um negócio parecido…) Em vez de rezar ou adorar uma divindade externa, a fé tem que concentrar na veneração e no cuidado extremo com o próprio organismo.
Como todo bilionário excêntrico, Johnson tem seguidores. Grupos de oito a doze pessoas que se reúnem semanalmente, inspirados em modelos como os Alcoólicos Anônimos. Nessas reuniões, existe um ritual de abertura e até um mantra, e os fiéis são encorajados a “se desculpar com o corpo, por algo que fizeram, e que causou danos a si mesmos”. Sim, é isso aí.
De repente, como tudo nessa vida tem que ter inteligência artificial, ela também desempenha um papel fundamental na nova doutrina. Johnson propõe que a IA será onipresente (Oh!) e, ao em vez de ser temida, deve ser impregnada com valores que priorizem a não-morte de humanos, da própria IA ou do planeta.
Ele prega que, ao fornecer grandes volumes de dados sobre seu próprio corpo a um algoritmo e alimentá-lo com atualizações científicas, a IA poderia tomar decisões de saúde superiores às de um médico ou da própria mente humana. Assim, ele próprio “se entregou a um algoritmo”, permitindo que ditasse sua rotina de alimentação, sono e exercícios.
A meta é que “Não Morra” se torne a ideologia mais influente do mundo nos próximos 18 meses, oferecendo uma abordagem inclusiva que, segundo Jessica Hamzelou, pode até coexistir com outras crenças, como cristianismo ou islamismo.
Convenhamos, antes prevenir do que remediar. Vai que Deus não usa ChatGPT.
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