Chinês que admitiu assassinato de jovem é preso na Grande SP
Mensagem a ex-namorada revelou confissão horas antes da fuga
A Polícia Civil do Rio de Janeiro capturou na tarde de segunda, 16, em Carapicuíba, Região Metropolitana de São Paulo, o comerciante chinês Zhaohu Qiu, 35 anos, conhecido como Xau.
Ele escreveu a uma ex-namorada “já matei, agora vou me matar” poucas horas depois de assassinar Marcelle Júlia Araújo da Silva, 18, na comunidade Beira Rio, Pavuna, zona norte do Rio.
O teor da mensagem foi entregue por testemunhas à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e fundamentou o pedido de prisão temporária expedido no sábado.
Câmeras de segurança mostram Marcelle chegando de bicicleta à casa de Qiu às 2h18 de quinta, 12.
Às 7h10, as imagens registram o réu empurrando um carrinho coberto por lona azul até outro imóvel seu, em obras, a poucas quadras dali.
Na tarde de sábado, 14, parentes que procuravam a jovem localizaram o corpo enrolado na mesma lona, no segundo andar do prédio em construção, já mutilado por dois cães da raça pit bull.
Agentes da DHC rastrearam o trajeto de fuga do autor pela Baixada Fluminense até a capital paulista.
Ele embarcou em ônibus interestadual na noite de sábado, alugou quarto em pensão de Carapicuíba e tentou vender pertences para levantar dinheiro, inclusive o trailer de yakisoba que mantinha na Pavuna.
O comportamento reforça a suspeita de premeditação.
A captura ocorreu por volta das 17 h, depois que policiais paulistas receberam o mandado carioca e cercaram a rua indicada por informantes.
O corpo de Marcelle foi sepultado às 15h30 de segunda no Cemitério de Irajá, zona norte do Rio, em cerimônia marcada por forte comoção.
O caixão permaneceu fechado por causa dos ferimentos. A mãe da vítima, Adriana Araújo, definiu a filha como “querida por todos, meiga, doce”.
Nas redes sociais, a hashtag #JustiçaPorMarcelle reúne milhares de mensagens.
Com a prisão, o inquérito avança para reunir provas materiais, como laudos da perícia que indicam estrangulamento, e para apurar possível envolvimento de terceiros no transporte do corpo. A DHC vai pedir a conversão da custódia em prisão preventiva.
Se condenado por feminicídio qualificado, Qiu pode pegar até 30 anos de reclusão.
Dados do Instituto de Segurança Pública apontam 107 feminicídios consumados em 2024, aumento de 8,1 % sobre 2023, além de 370 tentativas registradas, recorde da série histórica.
A Secretaria de Polícia Civil afirma que intensificou as rondas da Patrulha Maria da Penha e que novos protocolos de vigilância eletrônica começam a ser testados neste semestre.
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