Nova função no PIX vai gerar mais segurança, veja detalhes
Os pagamentos Pix no Brasil enfrentam desafios de fraude. O mecanismo MED enfrenta dificuldades para combater transferências fraudulentas.
A popularização do Pix como solução de transferência instantânea no Brasil trouxe maior rapidez às operações bancárias, porém também facilitou a proliferação de novos tipos de fraudes. Informações recentes do Banco Central revelam que, em 2025, apenas uma fração dos pedidos de estorno decorrentes de transferências fraudulentas com Pix foi atendida, mostrando as dificuldades enfrentadas no combate a crimes digitais.
Para auxiliar vítimas de golpes financeiros, foi criado o Mecanismo Especial de Devolução (MED), sistema que possibilita a solicitação de retorno de valores transferidos equivocadamente. No entanto, sua eficiência é limitada, principalmente pela complexidade encontrada ao rastrear fundos rapidamente movidos entre diferentes contas – estratégia rotineira de grupos criminosos.
Como opera o Mecanismo Especial de Devolução do Pix?
O MED é um recurso regulamentado pelo Banco Central cujo intuito é apoiar correntistas lesados por fraudes ou crimes com Pix. Caso o usuário identifique movimentações suspeitas, pode pedir a devolução diretamente no aplicativo do banco, relatando o ocorrido e anexando dados relevantes. O banco avalia os indícios de fraude antes de encaminhar o caso ao Banco Central.
Atualmente, o rastreamento feito pelo MED restringe-se à conta inicialmente beneficiada pela fraude. Assim, quando o dinheiro é transferido para outras contas em sequência, o processo de recuperação fica cada vez mais complicado. Outro limite está na necessidade de saldo disponível na conta do recebedor original, o que frequentemente impossibilita a restituição total do valor.
Principais empecilhos para reaver quantias vítimas de fraude via Pix
O maior desafio enfrentado por vítimas de golpes com Pix é a dispersão dos repasses para múltiplas contas, muitas vezes conhecidas como “contas laranja”. É uma técnica para dificultar tanto o rastreamento quanto a recuperação dos recursos. Conforme o Banco Central, em 2024, a principal razão para os pedidos de estorno negados foi justamente a ausência de dinheiro nas contas de destino.
- Rastreamento restrito: O sistema atual monitora apenas a transferência inicial, facilitando o espalhamento do capital.
- Demora para resposta: O tempo de análise favorece ações criminosas rápidas para dissipar os fundos.
- Saldo indisponível: Em caso de saldo zerado, a devolução é parcial ou até impossível.
Estes aspectos justificam o baixo índice de recuperação dos valores desviados, em comparação aos bilhões movimentados em fraudes.

O que muda com o MED 2.0 e o autoatendimento para contestação do Pix?
Buscando melhorar a segurança e ampliar as chances de ressarcimento, o Banco Central desenvolve o MED 2.0, com previsão de funcionamento para o início de 2026. O novo mecanismo será capaz de monitorar o trajeto do dinheiro ao longo de até cinco transferências subsequentes, acompanhando o fluxo dos valores mesmo que estejam pulverizados entre diferentes contas.
Outra inovação importante será o autoatendimento para questionamento de transações via Pix. Por meio desse recurso, qualquer usuário poderá dar entrada numa solicitação de devolução diretamente pelo app bancário, sem necessitar entrar em contato com o suporte de atendimento. Isso tornará o fluxo mais digital, acelerando a análise e tornando o processo bem mais ágil para o usuário.
- Abra o extrato ou o detalhamento das operações no app do seu banco.
- Identifique a transferência suspeita e selecione a opção “Contestar Pix”.
- Indique o motivo da contestação, escolhendo entre as justificativas disponíveis.
- Narre o ocorrido e, sempre que possível, anexe provas que confirmem a fraude.
- Espere pela avaliação e acompanhe tudo via protocolo gerado pelo sistema.
Esses aprimoramentos têm o objetivo de simplificar o procedimento, aumentar o volume de solicitações resolvidas positivamente, mas ainda enfrentam restrições técnicas e operacionais, como a execução de transferências ilegítimas para carteiras digitais menos regulamentadas.
Como instituições financeiras estão implementando as novas determinações?
Os bancos e fintechs iniciaram processos de atualização conforme as diretrizes do Banco Central. O prazo final para ajustes é outubro de 2025, sendo que algumas empresas, exemplo do Bradesco, já apresentam a função de contestação pelo próprio aplicativo. Adicionalmente, instituições financeiras estão marcando contas suspeitas de envolvimento em fraudes, colaborando para o bloqueio de movimentações ilícitas e para a identificação de contas laranja.
Com MED 2.0 e o autoatendimento, o setor financeiro prevê aumento expressivo no percentual de devoluções realizadas com sucesso. Especialistas, entretanto, pontuam que técnicas avançadas dos golpistas, como o uso de criptomoedas para dificultar o rastreio, podem deixar parte dos valores irreversíveis.
O progresso nas ferramentas de contestação e rastreamento do Pix representa avanço significativo para a segurança dos usuários. A expectativa é que as novas soluções fortaleçam não apenas a proteção contra fraudes, mas também a confiabilidade no sistema, resultando em menos prejuízos financeiros e maior tranquilidade para quem utiliza o meio de pagamento instantâneo.
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