Candidato à presidência defende prisão de Morales para fim de bloqueios
Manfred Reyes Villa instou o governo de Luis Arce a prender o cocalero em meio aos confrontos na Bolívia; Quatro policiais morreram
O prefeito de Cochabamba e candidato à presidência da Bolívia, Manfred Reyes Villa, defendeu a prisão do ex-presidente Evo Morales como forma de acabar com os bloqueios realizados pelos apoiadores do cocalero.
“A solução aqui é prender esse homem [Morales] e, com isso, os bloqueios acabarão e tudo acabará”, disse Reyes Villa a jornalistas.
“O Sr. Evo Morales tem vários mandados de prisão por pedofilia, abuso e estupro de menores. Este homem deveria estar preso há muito tempo, mas foi para o Chapare [Trópico de Cochabamba] e se refugiou lá”, continuou.
Reyes Villa afirmou que o presidente, Luis Arce, “poderia ter exercido todas as faculdades que lhe são conferidas por lei”.
“Se o tivesse feito antes, nada disso teria acontecido”.
Com medo de ser preso, o ex-presidente não sai da região do Trópico de Cochabamba desde outubro do ano passado. Ele conta com a proteção de plantadores de coca, base de sua influência política e sindical.
No ano passado, o Ministério Público boliviano emitiu uma ordem de captura por abuso de uma menor durante seu mandato. Morales foi acusado de ter tido um filho com uma adolescente em 2017. Ela tinha entre 14 e 16 anos na ocasião.
Mortes em protestos
Desde a semana passada, pelo menos 24 pontos de piquetes foram registrados em diferentes regiões da Bolívia.
Quatro policiais e um civil morreram durante confrontos com apoiadores de Morales, que estão bloqueando estradas como forma de pressionar por sua candidatura presidencial.
Três agentes participavam de uma operação para conter os enfrentamentos entre moradores da cidade mineira de Llallagua, em Potosí, e apoiadores do ex-presidente.
Arce responsabilizou Morales pelos “bloqueios criminosos”.
“Vamos implementar um plano para desbloquear gradualmente o país e proporcionar a paz de espírito que nosso povo boliviano merece. Também contamos com a cooperação e a compreensão das pessoas que sofrem as consequências desses bloqueios criminosos “, afirmou.
Apesar da declaração de Arce, os líderes dos cocaleros ameaçam reagiram contra as autoridades.
“Não ousem vir a este ponto de encontro . Se nos confrontarem, nós também responderemos”, afirma um seguidor de Morales em vídeo.
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Candidatura rejeitada
O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia confirmou a participação de dez candidatos nas eleições presidenciais marcadas para 17 de agosto, sem a presença de Morales.
A candidatura do cocalero foi oficialmente rejeitada.
O presidente do TSE, Óscar Hassenteufel, garantiu que as eleições ocorrerão normalmente, apesar da tentativa de apoiadores do ex-presidente de inviabilizar o pleito.
As eleições de agosto também definirão a composição do Congresso boliviano de 2025 a 2030.
Em maio, o TSE já havia negado a tentativa do cocalero de sair candidato.
Ele tentou registrar sua candidatura através do Partido de Ação Nacional Boliviano (Pan-Bol), sigla sem status legal desde o início do mês, após não alcançar 3% dos votos na eleição de 2020.
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