Comissão vai definir obras de arte expostas na Câmara de SP
Comissão foi criada após exibição de retrato de Marielle Franco alusivo à Nossa Senhora das Dores na Câmara dos Vereadores de São Paulo
A Câmara Municipal de São Paulo publicou nesta segunda-feira, 9, no Diário Oficial do município um decreto para instituir uma comissão curadora responsável por avaliar e aprovar a exibição de obras artísticas e culturais em suas dependências.
A medida ocorre após um embate entre as vereadoras Amanda Vettorazzo (União) e Luna Alves (PSOL) sobre a exibição de um retrato da ex-vereadora Marielle Franco, executada em março de 2018 no Rio de Janeiro, alusivo à Nossa Senhora das Dores na exposição Mulheres que Resistem à Violência de Estado, realizada em maio.
Composta, entre outros representantes, pela Mesa Diretora da Câmara, a comissão “avaliará os projetos de acordo com os critérios de: I – qualidade artística, II – relevância cultural, III – compatibilidade com o espaço, IV – respeito à imagem institucional, e V – e observância da legislação”.
“Os conteúdos das exposições que envolvam símbolos religiosos, nudez, violência ou outros temas sensíveis deverão vir acompanhados de justificativa conceitual e estarão sujeitos a sinalização ou restrição, conforme parecer da Comissão Curadora permanente”, determinou o texto.
Marielle ‘santa’?
Amanda Vettorazzo foi ao Ministério Público em 23 de maio pedir a instauração de inquérito para investigar se houve crime contra o sentimento religioso pela exposição da imagem de Marielle Franco como santa no saguão de entrada do Palácio Anchieta.
“Trata-se de uma afronta inaceitável à fé cristã. A imagem fere profundamente a crença católica e jamais deveria estar exposta. Quem decide quem é santo é exclusivamente a Igreja Católica e não o PSOL ou qualquer grupo político”, disse a integrante do Movimento Brasil Livre (MBL).
“É claro desrespeito à fé católica, ao apresentar uma mulher não santa, como se santificada fosse”, escreveu Amanda ao protocolar a notícia-crime.
Homenagem?
Em resposta à Amanda Vettorazzo, a psolista Luana Alves afirmou que a obra “não pretende substituir dogmas ou símbolos da fé católica, tampouco ‘canonizar’ Marielle Franco”.
“Ao invés disso, propõe um diálogo entre o sofrimento da Mãe de Deus, figura arquetípica de dor, resistência e amor e o martírio de mulheres negras e periféricas que, como Marielle, são vítimas da violência do Estado”, acrescentou.
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