Artista britânico quer produzir por dois séculos após sua morte
Conhecido por obras conceituais e estratégias de mercado audaciosas, Damien Hirst revelou um plano ambicioso
Em uma tentativa (ególatra?) de desafiar os limites do tempo, o artista plástico britânico Damien Hirst detalhou um projeto em entrevista ao London Times. A proposta envolve a criação de 200 cadernos, um para cada ano subsequente à sua morte, que servirão como base para futuras obras.
Colecionadores interessados poderão adquirir os direitos de produção dessas peças, que serão oficialmente assinadas pelos descendentes de Hirst e acompanhadas de certificados de valor de mercado.
Mecanismo e cronologia flexível
A execução das obras será ditada pela cronologia estabelecida nos cadernos, mas com uma particularidade: as peças poderão carregar datas retroativas. Hirst exemplificou a abordagem com uma escultura de um porquinho em formol concebida em 1991, mas nunca realizada. Se essa ideia aparecer no caderno correspondente a 145 anos após sua morte, a obra poderá ser produzida nessa data futura, mas, ainda assim, datada de 1991.
Essa prática de datar obras de acordo com a concepção, e não a produção, já gerou controvérsias anteriores para o artista, com sua empresa, Science Ltd., defendendo que as datas refletem o momento conceitual.
Legado, finanças e debates
A busca pela longevidade, tanto artística quanto financeira, tem sido uma característica recorrente na trajetória de Hirst. O projeto das “pinturas póstumas insere-se nesse histórico.
O artista já explorou a relação entre arte física e digital com The Currency, em 2021, e atualizou suas Spin Paintings com algoritmos em 2023, arrecadando milhões de dólares.
Para alguns observadores do mercado e da crítica de arte, a nova empreitada reflete uma genuína inquietação criativa. Para outros, trata-se de mais um capítulo em sua lucrativa carreira, marcada por episódios polêmicos como leilões autogeridos e o uso de recursos públicos. O plano audacioso levanta a questão se essas obras futuras encontrarão seu espaço na história da arte ou se dissolverão com o tempo, como tantas promessas de imortalidade artística.
Quem é Damien Hirst?
O artista conceitual britânico Damien Hirst, nascido em 1965, é uma figura proeminente e controversa no cenário artístico global, reconhecido por suas instalações ousadas e por atingir recordes em leilões, tornando-se um dos artistas mais ricos do Reino Unido. Suas obras frequentemente abordam temas centrais como vida, morte, imortalidade e beleza.
Hirst ganhou notoriedade com a série ‘Natural History’, onde preservou animais em formol, como um icônico tubarão, dentro de uma espécie de aquário. Ele também chocou o mundo com ‘For the Love of God’, uma réplica de crânio humano cravejada com mais de 8.600 diamantes, que alcançou um valor recorde de venda para um artista vivo.
Além de instalações e das conhecidas ‘spot paintings’ ou ‘spin paintings’, Damien Hirst explora diversas técnicas de gravura, incluindo xilogravura, água-forte e serigrafia. Essas impressões, muitas vezes com seus motivos característicos como borboletas e crânios, continuam a atrair o interesse de colecionadores.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)