Roberto Reis na Crusoé: Quem manda são os indecisos
O eleitor que acorda cedo, paga conta, quer paz e não tem tempo para militância é que decide a parada
Olá, Roberto Reis por aqui. Sou publicitário, mas de um modelo muito específico. Desde o primeiro estágio até hoje, só fiz um tipo de evento: campanha eleitoral. E lá se vão 27 anos assim.
Sem lançamento, sem produto, sem job de ego. Só eleição. Ou, se preferir: “engenharia social”. Eu não crio absolutamente nada, eu só embalo para o consumo.
Não sou o nome citado em mesa de bar por jornalista famoso. Sou o cara que monta o palco. Literalmente.
Chego antes. Na informação e na preparação. Vejo se tem tomada, se o microfone funciona, se o som estoura.
Defino por onde o candidato vai subir, por onde vai sair, onde ele fica melhor enquadrado e, principalmente: o que queremos passar naquela noite.
Coloco ele no centro, ajusto a iluminação e ensaio a respiração. Ensino para onde olhar. Corrijo a postura.
Faço ele repetir o começo do discurso cinco vezes, até deixar de parecer um robô. Se ele gagueja, corrijo. Se inventa palavra, corto. Se empolga, puxo de volta.
No evento, fico do lado. Fora do enquadramento — não gosto de palco. Faço sinal com a mão, se ele precisar acelerar ou desacelerar.
E, se for bem, só abaixo o queixo. Discreto. Aplauso moderado, para não inflar ainda mais o ego de quem já acha que é muito.
No final, subo na van com ele. Celular na mão, vídeo rolando, prancheta aberta e revisão. Aponto cada erro, cada acerto.
Digo o que podemos melhorar amanhã — dentro do possível, é claro. Sem drama. Sem parabéns falso.
Fiz isso na chuva, em rua sem asfalto. Na favela, com milícia observando do alto. No interior, com a praça vazia e a promessa de que “vai encher depois da missa”.
No TikTok, gravando dancinha em três takes porque o candidato travava no refrão.
Ganhei, perdi, e acho que sou…
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