“Eu vi meus amigos pegarem fogo"

23.09.2026

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O Antagonista
“Eu vi meus amigos pegarem fogo”
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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 06.06.2025 07:26 comentários
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“Eu vi meus amigos pegarem fogo”

Ed Victor, engenheiro americano, narra o ataque com coquetéis molotov contra manifestantes em Boulder e descreve o horror de ver uma idosa queimando viva

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 06.06.2025 07:26 comentários 1
“Eu vi meus amigos pegarem fogo”
Foto: Reprodução

O engenheiro americano Ed Victor publicou um relato pessoal com o título “Eu vi meus amigos pegarem fogo em Boulder” no portal The Free Press.

Ele estava entre os manifestantes pacíficos atacados com coquetéis molotov por Mohamed Sabry Soliman, egípcio de 45 anos, durante um protesto pela libertação dos reféns mantidos pelo grupo Hamas na Faixa de Gaza.

Quinze pessoas ficaram feridas, entre elas uma sobrevivente do Holocausto de 88 anos.

“A primeira coisa que senti foi o calor. Depois olhei para a esquerda e a senhora ao meu lado estava em chamas.”

Segundo as autoridades, Soliman gritou frases como “libertem a Palestina”, “acabem com os sionistas” e “quantas crianças vocês mataram?” enquanto lançava duas bombas incendiárias contra o grupo — formado principalmente por idosos, famílias e crianças.

Preso em flagrante, o agressor disse à polícia que “não se arrepende” e que “queria que todos morressem”.

Ele teria planejado o atentado por mais de um ano.

Tentou comprar uma arma de fogo, mas foi impedido por estar em ilegalmente no país.

Victor sobreviveu sem ferimentos, mas viu de perto o corpo de uma idosa em chamas cair no chão. Tentou apagá-las com o que tinha à mão.

“Meu treinamento nos escoteiros, de quase quarenta anos atrás, entrou em ação.”

“Procurei por algo que pudesse abafar o fogo. Não havia água por perto. Lembrei que, com cheiro de gasolina no ar, a água não serviria de nada.”

Ele descartou usar bandeiras dos Estados Unidos ou de Israel que estavam no chão.

Acabou pegando a faixa principal do protesto — a que usavam todos os domingos, com os dizeres “Libertem-nos agora”.

“Tive medo de que fosse feita de material sintético. E se pegasse fogo também? Poderíamos criar uma bola de fogo. Mas não havia tempo. Era aquilo ou nada.”

Com a ajuda de outras duas pessoas, conseguiu abafar as chamas. Depois viu o marido da vítima, também ferido, gritar desesperado. Foi levado de helicóptero ao hospital.

O ataque aconteceu quando o grupo se posicionava em frente ao fórum de Boulder para a leitura dos nomes dos reféns sequestrados pelo Hamas e dos que já foram mortos.

Logo depois, cantariam o hino nacional de Israel, Hatikvá, que significa “A esperança”.

“De repente, o mundo se estreitou. Só existia o fogo, o grito, a fumaça.”

Victor participa da caminhada todos os domingos desde setembro de 2024, após uma viagem a Israel. Diz que nunca teve ligação política com o conflito. Para ele, a causa sempre foi humanitária.

“Nunca teve a ver com Israel. Sempre foi sobre os reféns.”

A marcha era silenciosa.

Os participantes seguravam fotos dos sequestrados, caminham sem dizer uma palavra, enquanto pedestres observam.

Às vezes, alguém grita “libertem a Palestina”, mas até então, nada havia passado disso.

“Nunca me senti inseguro. Nunca imaginei que me sentiria inseguro em Boulder.”

Após o ataque, Victor passou a anotar nomes dos feridos, visitar ambulâncias e ligar para familiares. Tentava manter o controle, mas admite que a ferida é profunda.

“Coloquei minha própria fita de isolamento interna. Não sei se algum dia conseguirei voltar àquele lugar.”

Ele pretende retornar à caminhada no próximo domingo, uma semana após o atentado. Mas reconhece que algo mudou para sempre.

“Isso me mudou para sempre.”

Victor escreve sobre o peso do bordão “libertem a Palestina”.

Reconhece que pode expressar o desejo legítimo por um Estado palestino, mas alerta para o uso da frase como justificativa para ataques violentos.

“Libertem a Palestina pode significar um Estado palestino. Mas também virou grito de guerra para matar judeus.”

Cita como exemplo os dois assassinatos recentes em Washington, também motivados por ódio antissemita.

O texto de Ed Victor é um testemunho brutal de como o extremismo político pode se transformar em violência concreta — e deixa claro que, mesmo em solo americano, nem todos estão seguros.

Quem é Ed Victor

Ed Victor é engenheiro de software americano, natural do Colorado, com mais de 30 anos de atuação no setor de tecnologia.

Aposentado desde 2024, passou a se envolver com manifestações semanais em defesa dos reféns sequestrados pelo Hamas.

Este é seu primeiro artigo publicado na imprensa.

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Comentários (1)

Marcia Elizabeth Brunetti

06.06.2025 07:37

É mais uma vez a galerinha woke conseguiu fazer com que eu antipatize com a causa Palestina. Claro que o Hamas é o culpado, mas também todos os radicais religiosos, especialmente os muçulmanos.


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