Justiça barra deportação de familiares de autor de ataque antissemita nos EUA
Parentes de Mohammed Soliman estão presos em centro de detenção específico para famílias com menores no Texas
O juiz federal Gordon Gallagher bloqueou temporariamente o processo de deportação da esposa e de cinco filhos do egípcio Mohamed Sabry Soliman, autor do atentado antissemita em Boulder, cidade no estado do Colorado, no domingo, 1º
“Além disso, o tribunal considera que a deportação sem processo pode causar danos irreparáveis e uma ordem deve ser emitida sem aviso prévio devido à urgência que esta situação apresenta”, decidiu o magistrado federal.
Em 13 de junho, haverá uma audiência para analisar o pedido de ordem de restrição temporária emitido pelo governo americano.
De acordo com a porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), Tricia McLaughlin, o egípcio está nos Estados Unidos com o visto vencido.
Ele entrou em agosto de 2022 e permaneceu irregularmente depois de expirar a validade do documento.
Prisão dos familiares
Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE, na sigla em inglês) prenderam os parentes de Soliman na terça-feira, 3.
Registros federais indicam que a esposa e os filhos do egípcio estão em um centro de detenção do Texas, especializado para abrigar famílias com menores.
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou a prisão da família e revelou que as autoridades federais estão investigando eventual participação no atentado.
“O Departamento de Segurança Interna e o ICE estão levando a família do suspeito terrorista de Boulder e estrangeiro ilegal, Mohamed Soliman, sob custódia. Também estamos investigando até que ponto a família dele sabia sobre esse ataque horrível, se eles tinham algum conhecimento ou se lhe deram apoio”, disse.
O FBI trata o caso como “ataque terrorista direcionado”.
Atentado
Mohamed Sabry Soliman utilizou um lança-chamas improvisado e artefatos incendiários durante uma manifestação pró-Israel chamada “Corram por suas vidas” (Run for Their Lives), promovida por judeus locais em solidariedade aos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em Gaza.
As vítimas têm entre 52 e 88 anos.
Segundo testemunhas, o agressor gritava frases como “Palestina livre” e “Fim aos sionistas” durante o ataque.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que ações desse tipo são “resultado direto de libelos de sangue contra o Estado judeu e o povo judeu”, e pediu o fim dessas campanhas de incitação.
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