Crusoé: Trabalhador de app não tem proteção social e precisamos definir, diz relator
Segundo Augusto Coutinho (Republicanos-PE), se o Congresso não regulamentar o trabalho em aplicativo, Judiciário vai querer legislar
O deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE), que será o relator na comissão especial criada para discutir a regulamentação do trabalho em aplicativos, afirmou em entrevista a O Antagonista e a Crusoé que esses trabalhadores não possuem qualquer proteção social atualmente e que é necessário regulamentar para definir direitos e responsabilidades para eles.
“Hoje é uma terra sem lei. Os trabalhadores não tem nenhum agasalho social, não tem nenhuma segurança. Os aplicativos efetivamente ditam como é a relação, você não tem nenhum parâmetro de como cobrar responsabilidades dos dois lados. Então, é uma coisa que precisamos regulamentar, porque é relativamente nova, mas muitos países no mundo estão fazendo isso, precisamos enfrentar essa questão”, pontuou.
Segundo o parlamentar, se o Congresso não legislar sobre o tema, a qualquer momento “algum tribunal superior do país” vai querer legislar no lugar. “E quem foi eleito pelo povo brasileiro para ser legislador fomos nós, não é o Judiciário”.
Coutinho salienta que, pelos dados dos quais dispõe, 70% dos motoristas por aplicativo exercem a atividade diariamente, no horário que desejam, e 30% fazem eventualmente. “Então, o que vemos é uma tendência de que o trabalhador quer fazer o seu horário, quer ter a sua independência. Portanto, é uma relação de trabalho nova. É uma relação em que ele é autônomo, ele quer ser autônomo, mas precisa ter direitos, precisa ser respeitado”, pontua o parlamentar.
Em suas palavras ainda, “não pode acontecer, por exemplo, o que acontece hoje de uma plataforma desligar um trabalhador e não dizer por que o desligou”. “Uma plataforma cobra um percentual de intermediação de mais de 50% e o trabalhador não sabe por que foi cobrado 50%. Isso não pode”.
Porém, acrescenta, é preciso garantir ainda a responsabilização dos trabalhadores que não prestam o serviço corretamente.
“Precisa responsabilizar quem está apresentando isso. Como também, de outra parte, você precisa dar ao trabalhador a segurança de que quem está chamando ele para um serviço não vai fazer com que ele seja assaltado por aquele que está chamando porque aquela pessoa não existe”, afirma.
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Comentários (4)
LuÃs Silviano Marka
01.06.2025 16:50A melhor proteção que o governo pode oferecer é deixar o pessoal trabalhar em paz, sem ficar se intrometendo onde não é necessário e nem foi chamado. Por mim, podem pegar essa mreda de "regulamentação", enrolar bem grosso e... fazer bom uso, se é que me entendem.
Fabio B
01.06.2025 15:38Pra trazer ao tempo dessas antas, querer impor burocracia, vínculo empregatício entre entregadores e apps é como obrigar o jornal a contratar como CLT todo mundo que anuncia nos classificados. É o mesmo tipo de estupidez analógica aplicada ao mundo digital.
Fabio B
01.06.2025 15:33O que esses bost4s ignorantes não entendem é que o trabalhador de app, não trabalha para o app, ele apenas usa a infraestrutura do app para poder vender seus serviços aos clientes.
JEAN PAULO NIERO MAZON
01.06.2025 12:55Irão cobrar impostos e burocratizar...