Federação mundial de boxe anuncia testes genéticos de gênero obrigatórios
World Boxing vetou participação da pugilista Imane Khelif, alvo de polêmica durante as Olimpíadas de Paris
A World Boxing, federação internacional de boxe, anunciou nesta sexta-feira, 30, a obrigatoriedade de testes genéticos de gêneros para atletas do programa olímpico e amador da modalidade.
A instituição também decidiu vetar a participação da boxeadora olímpica argelina Imane Khelif, medalha de ouro nas Olimpíadas de Paris, até que sejam realizados testes pelos comitês médicos.
Ela foi envolvida em polêmicas, ao disputar a competição sob recusa da Associação Internacional de Boxe (IBA).
De acordo com a federação mundial, os novos testes são parte de uma política de “sexo, idade e peso“, que visa garantir a “segurança dos participantes e entregar um nível competitivo igual para homens e mulheres”.
“A política está em fase final de desenvolvimento e foi elaborada por um grupo de trabalho do Comitê Médico e Antidoping do Boxe Mundial, que analisou dados e evidências médicas de uma grande variedade de fontes e consultou amplamente outros esportes e especialistas ao redor do mundo”, diz trecho do comunicado oficial.
Imane Khelif
O órgão informou ter enviado uma carta à federação argelina de boxe sobre o veto a Khelif.
Com a recusa, a pugilista não poderá participar da Copa de Boxe de Eidhoven, na Holanda, enquanto não for submetida aos novos testes.
Os exames serão realizados pelas federações nacionais com atletas acima dos 18 anos.
Todos passarão por testes genéticos PCR – nasal ou bucal – para “determinar seu sexo no nascimento e sua elegibilidade para competir”.
Caso o resultado detecte o cromossomo Y ou “diferença no desenvolvimento sexual (DSD) em que ocorre androgenização masculina”, o atleta será liberado a competir na categoria masculina.
Em hipótese contrária, estarão aptos a disputarem pela categoria feminina.
Haverá possibilidade de recurso.
Polêmica
Nos jogos olímpicos de Paris, o combate entre Khelif e a italiana Angela Carini se encerrou com o abandono de Carini aos 46 segundos, após um golpe que, segundo ela, causou forte dor no nariz.
A rápida desistência reacendeu o debate público e, ao retornar à Itália, Carini foi recebida pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que expressou apoio e reforçou críticas à participação de Khelif, como noticiado na época em O Antagonista.
Movimentos de defesa do esporte feminino, como o “Save Women’s Sports” e o “Women’s Sports Policy Working Group”, juntamente com a brasileira “Mátria Mulheres Associadas“, têm reforçado a importância de regulamentações justas e transparentes para a inclusão de atletas em competições femininas.
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