MST pede a cabeça de Paulo Teixeira
Dirigente histórico do movimento afirma que diálogo com o ministro perdeu o sentido após repetidas promessas não cumpridas
Lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) defendem a saída do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (foto). A cobrança deverá ser feita pessoalmente nesta quinta-feira, 29, em um assentamento no Paraná, onde Lula e Teixeira têm encontro marcado com representantes do movimento.
Jaime Amorim, dirigente histórico do MST, afirmou que o diálogo com o ministro perdeu o sentido após repetidas promessas não cumpridas. Na semana passada, Amorim deixou de participar de um encontro com o ministro, em Petrolina (PE), como forma de protesto.
O dirigente disse à Folha que, embora Teixeira seja “um dos melhores parlamentares do país”, “não entende de reforma agrária e não tem interesse em realizá-la”.
Um dos principais focos de atrito é a metodologia adotada pelo ministério para contabilizar os assentamentos. O MST critica a inclusão de famílias em processos de regularização ou reconhecimento de posse como se fossem novos assentamentos.
“Eles ficam falsificando números, criando uma lógica que qualquer um que conhece um pouco da nossa área sabe que não condiz com a realidade”, afirmou Amorim.
“Eu estive em reuniões com o Lula, e ele [Teixeira] fala sempre a mesma coisa (…) Parece que a principal qualidade da equipe dele é criar números que não são reais”, acrescentou.
Em resposta ao jornal paulistano, Teixeira afirmou estar surpreso com as críticas e afirmou que sua pasta está com todas as metas em dia.
Tensões
Desde o início de 2023, a relação entre o MST e o governo petista vem se deteriorando.
No primeiro ano do novo mandato de Lula, o movimento manteve postura mais tolerante, diante do cenário de desmonte herdado da gestão Jair Bolsonaro (PL).
A partir de 2024, porém, aumentaram as cobranças por novos assentamentos e expansão do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) da agricultura familiar.
Todo o poder ao MST
Reportagem de Crusoé publicada em abril mostra que Lula fez diversos agrados ao MST, sua mais fiel e combativa base de eleitores.
Em pouco mais de dois anos de governo, Lula aumentou o controle que o MST exerce sobre os seus membros e criou meios alternativos de financiar a organização, que promove invasões de terras.
O apoio ao MST é apenas um expediente usado por Lula para reafirmar seu projeto pessoal de poder, com mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Segundo uma pesquisa da RealTime Big Data, feita a pedido de Crusoé e O Antagonista, 66% dos brasileiros não apoiam o MST. Somente 32% estão de acordo ou apoiam as demandas da organização.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)