MC Poze é preso por apologia ao crime e vínculo com Comando Vermelho
Polícia afirma que funkeiro cantava para traficantes armados e promovia facção criminosa
O cantor e influenciador MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brandon Coelho Couto Silva, foi preso na manhã desta quinta-feira, 29, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do estado, que cumpriu mandado de prisão temporária expedido pela Justiça fluminense.
MC Poze do Rodo possui mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, especialmente no Instagram.
De acordo com as investigações, Poze é acusado de praticar dois crimes: apologia ao tráfico de drogas e envolvimento com organização criminosa.
As autoridades afirmam que suas músicas e apresentações promovem o uso de entorpecentes, exaltam armas de fogo e incitam a violência entre facções.
Os investigadores alegam ainda que o funkeiro só se apresenta em áreas sob domínio do Comando Vermelho, onde atua com proteção armada de traficantes.
A Polícia Civil destacou que os bailes em que Poze canta são organizados e financiados pela facção e funcionam como vitrine e instrumento de expansão do tráfico local.
Um dos eventos sob apuração ocorreu em 19 de maio, na Cidade de Deus, poucas horas antes da morte do policial civil José Antônio Lourenço, da Core, durante operação na mesma região.
Vídeos recentes de bailes funk mostram Poze cantando para plateias formadas por criminosos armados, que aparecem nas imagens sem qualquer disfarce.
A defesa do cantor declarou que a prisão é resultado de uma “narrativa antiga” e informou que aguardará acesso aos autos do processo antes de se manifestar. Seus advogados não descartam a apresentação de habeas corpus.
Poze já havia sido investigado na Operação Rifa Limpa, que apurou sorteios ilegais promovidos em redes sociais.
Em novembro de 2024, bens de luxo do artista chegaram a ser apreendidos, mas foram devolvidos após decisão judicial que apontou ausência de provas de vínculo com atividades criminosas.
MBL e a “Lei Anti-Oruam“
O confronto entre o Movimento Brasil Livre (MBL) e o rapper Oruam, filho do traficante Marcinho VP, ganhou destaque em janeiro deste ano, após a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) propor um projeto de lei que veta a contratação de artistas com histórico de apologia ao crime para eventos custeados por verbas públicas.
A proposta foi apelidada de “Lei Anti-Oruam” e apresentada após a circulação de músicas e vídeos em que o artista menciona armas, drogas e líderes de facções.
Em resposta, Oruam publicou ataques à vereadora e convocou seguidores a invadirem seu perfil nas redes sociais. A parlamentar registrou boletim de ocorrência por injúria, difamação e incitação ao crime.
O caso teve ampla repercussão nas redes e gerou reações políticas.
Oruam afirmou que a controvérsia ampliou sua visibilidade, enquanto integrantes do MBL passaram a defender a replicação da proposta em outras câmaras municipais e assembleias legislativas.
A discussão colocou em evidência o limite entre liberdade de expressão e apologia a práticas ilegais, além de questionar o uso de dinheiro público na contratação de artistas com histórico de envolvimento em temas ligados ao crime organizado.
O tema segue em debate legislativo em diferentes estados.
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Comentários (2)
Denise Pereira da Silva
29.05.2025 10:58Parabéns à Vereadora Amanda Vettorazzo pela corajosa e necessária iniciativa. E parabéns ao Movimento Brasil Livre (MBL) pelo Partido Missão que está chegando. Precisamos de políticos como Amanda, que pensem no desenvolvimento do Brasil.
Marcia Elizabeth Brunetti
29.05.2025 09:12E venha alguém dizer que a Lei Anti-Oruam é contra a liberdade de expressão, repressão à cultura do povo? Esse Marlon Brandon da Silma deveria morrer na prisão !