Rússia reúne 50 mil soldados na fronteira com a Ucrânia, diz Zelensky
Movimentação das forças de Putin foi confirmada por imagens de satélite analisadas por monitores independentes
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quarta-feira, 28, que a Rússia concentrou mais de 50 mil soldados na região de Kursk, perto da fronteira nordeste ucraniana, para preparar uma ofensiva contra a província de Sumy. Segundo ele, o avanço já teve início com ataques a cidades fronteiriças.
A movimentação militar russa já havia sido antecipada por integrantes do Kremlin e confirmada no fim de semana por imagens de satélite analisadas por monitores independentes. De acordo com Zelensky, os soldados mobilizados incluem “as mais fortes” unidades do Exército russo.
Zelensky afirmou que a Rússia pretende criar uma nova zona de ocupação na região de Sumy para consolidar ganhos territoriais antes de um eventual acordo de paz — uma estratégia que ajudaria a impedir novos ataques ucranianos à região de Kursk, como o ocorrido em agosto de 2024.
Analistas militares sugerem que a concentração de tropas poderia servir também como diversionismo para um ataque em outra frente de batalha.
O ditador Vladimir Putin intensificou os ataques aéreos no fim de semana e na segunda-feira, quando foram registrados os maiores bombardeios da guerra até agora.
A ofensiva provocou reação do presidente dos EUA Donald Trump, que afirmou que o líder russo “tinha ficado completamente louco”. Na terça, 27, o republicano advertiu que Putin estava “brincando com fogo”.
Reunião trilateral
Zelensky também voltou a cobrar uma reunião com Putin e sugeriu incluir Trump nas negociações.
“Se Putin se sente desconfortável com uma reunião bilateral, ou se todos querem que seja uma reunião trilateral, não tenho problema com isso. Estou pronto para qualquer formato”, disse o ucraniano nesta quarta-feira.
Ele reforçou que, enquanto Moscou continuar a atacar a Ucrânia, os Estados Unidos devem ampliar as sanções contra a Rússia, especialmente nos setores bancário e energético.
“Trump prometeu que sanções serão impostas se a Rússia não parar”, afirmou.
“Silêncio dos EUA encoraja Putin”
No último domingo, Zelensky alertou para o impacto da ausência de reações internacionais aos ataques russos.
“A Rússia está prolongando esta guerra e continua matando todos os dias. O mundo pode tirar uma folga no fim de semana, mas a guerra continua, seja fim de semana ou dia útil”, afirmou, após bombardeios que deixaram ao menos 12 mortos e dezenas de feridos.
“O silêncio dos Estados Unidos, o silêncio dos outros ao redor do mundo apenas encoraja Putin.”
A declaração veio logo após a segunda noite consecutiva de bombardeios em larga escala, em meio a uma escalada mais ampla da Rússia nos últimos meses.
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