Trump pressiona Senado a aprovar megaprojeto fiscal até 4 de julho
“One Big Beautiful Bill” avança como trunfo republicano para consolidar agenda econômica e reforçar base eleitoral em 2026
O presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o senado americano para aprovar, até o feriado de 4 de julho, o projeto de lei H.R.1, apelidado de “One Big Beautiful Bill”.
Com 1.116 páginas, a proposta foi aprovada pela câmara dos deputados na quinta, 22, por 215 votos a 214, e é tratada como prioridade legislativa do governo para impulsionar crescimento, competitividade e segurança.
O texto torna permanentes os cortes de impostos da reforma fiscal de 2017 e isenta de tributos gorjetas, horas extras e juros de financiamento de veículos até 2028.
Eleva o teto da dedução de impostos estaduais e locais (SALT) para US$ 40 mil anuais para famílias com renda inferior a US$ 500 mil e amplia temporariamente o crédito tributário por dependente de US$ 2.000 para US$ 2.500.
Na área de defesa, o projeto destina US$ 150 bilhões adicionais, incluindo US$ 25 bilhões para a implantação do sistema antimísseis de longo alcance “Golden Dome”.
Em relação à segurança de fronteira, a proposta prevê US$ 46,5 bilhões para construção de barreiras físicas e vigilância, além de US$ 4,1 bilhões para contratação de novos agentes de fronteira e aduana.
Há também a criação de um imposto de 3,5% sobre remessas internacionais feitas por não cidadãos.
A proposta impõe exigências de trabalho para beneficiários do Medicaid com idades entre 18 e 65 anos e sem dependentes, a partir de dezembro de 2026.
Também estabelece restrições ao uso do programa para procedimentos relacionados a aborto e mudança de gênero.
Para garantir apoio na Câmara, os republicanos aceitaram antecipar essas exigências e eliminar incentivos fiscais para energia renovável até 2028.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, chamou a medida de “a legislação mais significativa aprovada com maioria tão estreita”.
No Senado, onde os republicanos têm 53 das 100 cadeiras, o texto ainda pode ser ajustado para atender às exigências técnicas do processo de reconciliação orçamentária, que permite aprovação por maioria simples.
Donald Trump tem feito apelos públicos por uma tramitação célere.
“Enviem este projeto para minha mesa o mais rápido possível”, declarou. O governo vê na aprovação da proposta um pilar para sua estratégia de crescimento econômico e também um fator de coesão política para as eleições legislativas de 2026.
A proposta recebeu apoio robusto de setores empresariais, da indústria, do agronegócio e do comércio, que destacaram seus efeitos positivos sobre investimentos, emprego e competitividade.
Críticos apontam risco de aumento no déficit público, estimando impacto de até US$ 3,8 trilhões na dívida federal em dez anos, mas aliados do governo destacam o estímulo ao crescimento e à geração de receita como fatores compensatórios.
O cronograma prevê votação no senado nas próximas semanas.
A meta do governo é sancionar a lei até o feriado de 4 de julho, consolidando um pacote que reúne as principais bandeiras do segundo mandato de Trump: alívio fiscal, segurança nas fronteiras, fortalecimento da defesa nacional e contenção de excessos regulatórios.
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