Rodolfo Borges na Crusoé: 160 anos sem solidão
O primeiro título do Crystal Palace expõe a beleza da persistência esportiva após tantos anos de derrotas enfrentadas em grupo
“A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele”, diz Úrsula a José Arcadio Buendía, numa das frase mais marcantes de Cem Anos de Solidão. A gente também não é de um lugar quando não compartilha um objetivo comum, ainda que ele só venha a ser alcançado 164 anos depois.
Os torcedores do Crystal Palace emocionaram o mundo do futebol em Wembley, em 17 de maio, ao presenciarem o primeiro título da história de um dos clubes mais antigos do mundo, que ganhou a FA Cup após perder duas finais marcantes décadas atrás.
Há alguns anos, um historiador-torcedor do clube inglês achou elos entre a versão profissional do Palace, fundada em 1905, e a versão amadora, de 1861, quase tão antiga quanto o Sheffield FC, fundado em 1857 e reconhecido pela FIFA e pela britânica FA como o mais antigo do mundo.
Lágrimas
Após a vitória por 1 a 0 contra o poderoso Manchester City, resgatado da inexpressividade pelo dinheiro árabe há quase duas décadas, espalharam-se imagens de torcedores de todas as idades — mas principalmente mais velhos — chorando diante do primeiro triunfo de seu clube.
Junto com as lágrimas, correram as histórias. A mais marcante delas foi eternizada por um bandeirão exposto na final contra o City, no qual aparece um pai abraçado a dois filhos (foto).
Mark Wealleans celebrava um gol de Darren Ambrose contra outro adversário poderoso, o Manchester United, em 2011, em partida pela Copa da Liga, junto com os filhos Dominic e Nathan, que tinham seis e nove anos à época.
Os filhos de Mark estavam em Wembley para ver o primeiro título do clube da família, mas o pai não — pelo menos não fisicamente —, pois morreu de câncer em 2017, aos 49 anos. A torcida reuniu…
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