Jerônimo Teixeira na Crusoé: Querem regulamentar o bebê reborn
Deputados federais propõem leis sobre o boneco muito caro e muito bizarro que tem feito barulho na internet, e eu pergunto: pra quê?
Da janela da sala, eu via o helicóptero da Polícia Militar pairando nas redondezas. Perto demais, constatei. Decidi levar meu filho de carro até a escola.
Para quem não mora na área central de São Paulo, o nexo entre o voo do helicóptero e a carona para o moleque que em geral pega ônibus parecerá esotérico.
Talvez até faça suspeitar a prática de alguma arte esotérica, como a haruspicação (leitura de entranhas de animais, muito popular na Roma Antiga) ou a quiromancia.
Não, não tenho intenção de lançar a helicopteromancia. Se identifiquei um augúrio sinistro no barulho das hélices às seis horas da manhã, foi pelo caminho cartesiano e prosaico da dedução.
Poucos dias antes daquela sexta-feira 16, uma ação conjunta de prefeitura e governo do estado havia esvaziado a área degradada conhecida como Cracolândia. Quando isso acontece, os viciados em crack se dispersam, para depois se concentrarem em um outro lugar.
O helicóptero estava lá para vigiar essas movimentações. Meu receio era de que os “noias” estivessem concentrados no caminho até o ponto de ônibus. Não estavam, soube mais tarde.
(As Preocupações de um Pai de Família: título de um inquietante conto de Kafka.)
Nas ondas do rádio
No caminho de volta para casa, liguei o rádio em uma emissora noticiosa.
Peguei os locutores no meio de um daqueles bate-papos descontraídos que hoje imperam no jornalismo radiofônico. Tema do debate: bebês reborn.
Como frequento as redes sociais, eu já havia aprendido que o tal reborn é um boneco confeccionado para ser uma contrafação muito realista de um bebê humano.
O produto (se posso chamá-lo assim sem ofender sensibilidades) já existe há anos, mas subitamente tomou de assalto as discussões on-line.
O que eu não sabia até ser informado…
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