“Globalizar a intifada sempre significou temporada de caça aos judeus”
A jornalista americana Bari Weiss denuncia o ambiente cultural e político que, segundo ela, permitiu um assassinato antissemita em plena capital dos EUA
A jornalista americana Bari Weiss publicou nesta quinta, 22, artigo intitulado “Bem-vindo à intifada global” (“Welcome to the Global Intifada”, The Free Press).
No texto, ela relaciona o assassinato de dois funcionários da embaixada de Israel em Washington, D.C., a um clima crescente de ódio antijudaico legitimado por setores políticos, acadêmicos e culturais do Ocidente
“Na noite passada, diante do Museu Judaico da Capital, em Washington, D.C., um atirador abriu fogo e assassinou dois jovens porque achou que eram judeus e porque estavam reunidos num local judeu para um evento judaico.”
As vítimas, Yaron Lischinsky e Sarah Milgrim, trabalhavam na embaixada israelense e estavam prestes a se casar.
“Yaron comprou um anel de noivado para Sarah poucos dias atrás. Eles voariam para Israel no domingo para que ela conhecesse seus pais.” Segundo Weiss, sua morte não gerou comoção proporcional, o que ela atribui à atual banalização do ódio contra judeus.
O assassino teria gritado “libertem a Palestina” e “eu fiz isso por Gaza” logo após o crime.
“Essa lógica demente, mas coerente em sua maldade, torna todos nós alvos potenciais.” Para Weiss, o slogan “globalizar a intifada”, cada vez mais comum em protestos universitários, deve ser levado ao pé da letra. “Globalizar a intifada sempre significou temporada de caça aos judeus no mundo todo.”
Ela relaciona a radicalização atual com a retórica violenta que tomou conta de universidades e redes sociais desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
“No campus da George Washington, estudantes projetaram ‘glória aos nossos mártires’ e ‘libertem a Palestina do rio ao mar’ em prédios.” Já em Harvard, mais de 30 grupos estudantis culparam exclusivamente Israel pela violência.
Weiss também denuncia o que chama de “cultura de mentiras” disseminada por intelectuais, influenciadores e até órgãos internacionais.
“Nesta semana, repetiram mentiras evidentes, como a de que 14 mil bebês morreriam em Gaza em 48 horas, número depois desmentido até pela ONU.” Para ela, esse tipo de propaganda destrói os tabus morais que impediam o antissemitismo explícito.
A autora lembra que assassinatos motivados por ódio antijudaico já ocorriam nos EUA antes: “Ari Halberstam foi morto em 1994 na ponte do Brooklyn. O assassino disse: ‘Só atirei porque eram judeus’.”
Ela vê paralelos diretos com o caso atual, ao qual atribui responsabilidade indireta a quem propaga ideias que desumanizam judeus ou sionistas.
“Uma cultura que abraça a violência como forma de expressão e que perdeu o senso da diferença entre vida e morte não pode ser contida por nenhuma força policial.”
O artigo termina com um alerta sombrio: o antissemitismo voltou com força aos Estados Unidos, e não apenas como um resquício marginal — mas como ideologia ativa em instituições de prestígio.
Quem é Bari Weiss
Bari Weiss é jornalista americana, ex-editora de opinião do The New York Times, fundadora do portal The Free Press e autora do livro How to Fight Anti-Semitism, vencedor do National Jewish Book Award.
Conhecida por sua postura crítica ao identitarismo acadêmico e à esquerda radical, Weiss tem se destacado no debate público dos EUA como voz ativa contra o antissemitismo contemporâneo.
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