Entidades judaicas condenam atentado em Washington: “Antissemitismo mata”
Conib e Fisesp atribuíram o crime ao discuro de ódio antissemita e pediram responsabilidade às lideranças políticas
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) condenaram o assassinato de dois funcionários da embaixada de Israel nos Estados Unidos, mortos a tiros na noite de quarta-feira, 21, em Washington. As entidades atribuíram o crime ao avanço do antissemitismo e pediram responsabilidade às lideranças políticas.
Yaron Lischinsky, de 30 anos, e Sarah Lynn Milgrim, de 26, foram mortos na saída de um evento promovido pelo American Jewish Committee (AJC), no Museu Judaico da capital americana.
O autor dos disparos, Elias Rodriguez, gritou “Palestina livre” ao ser preso. As autoridades americanas trataram o crime como motivado por ódio antissemita.
A Conib classificou o crime como um “terrível ataque terrorista”. Para a entidade, o episódio mostra como a “campanha de ódio contra o Estado judeu estimula a violência antissemita com efeitos mortais”.
“Nossas condolências e solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e a todo o povo judeu, que assiste estarrecido à explosão do antissemitismo no mundo (inclusive no Brasil)”, diz a nota.
A Fisesp manifestou “profundo pesar” e solidariedade às famílias das vítimas, à comunidade judaica americana e ao Estado de Israel.
Em nota, a entidade apontou a escalada do discurso antissemita e criticou declarações do presidente Lula, que comparou ações militares de Israel ao Holocausto.
“Ao mesmo tempo, alertamos para os riscos e consequências reais do discurso de ódio, da banalização da dor judaica e da distorção histórica. O crescimento global de manifestações antissemitas encontra terreno fértil quando vozes de liderança, como a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adotam comparações inaceitáveis entre o Holocausto e a legítima defesa do Estado de Israel frente aos ataques terroristas do Hamas. Tais declarações não apenas desrespeitam a memória de milhões de vítimas do nazismo, mas também têm reflexos concretos no Brasil, onde os registros de antissemitismo aumentaram 1000% desde o início da crise em Gaza.”, afirmou a Fisesp.
A federação pediu responsabilidade às autoridades e alertou: “Antissemitismo mata. E não podemos mais ignorar isso.”
Quem era o casal de diplomatas?
Yaron Lischinsky, de 30 anos, e Sarah Lynn Milgrim, de 26, trabalhavam na embaixada israelense e, de acordo com o embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, planejava ficar noivo na semana seguinte.
“Ele havia comprado um anel nesta semana com a intenção de pedir sua namorada em casamento em Jerusalém”, afirmou o diplomata.
O encontro em Washington, chamado “Recepção de Jovens Diplomatas”, tinha como objetivo discutir soluções para a crise humanitária em Gaza, com cooperação entre israelenses e palestinos, segundo a organização humanitária IsraAid.
“Nós e todos os participantes nos reunimos com o objetivo de encontrar soluções práticas para a crise em Gaza. A ironia brutal e trágica de que um evento motivado por princípios humanitários tenha terminado em violência é de cortar o coração”, afirmou a entidade.
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