Comandante da Marinha pede a Moraes para não depor
O almirante Marcos Sampaio Olsen foi arrolado como testemunha no processo que investiga suposta tentativa de golpe de Estado
O comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF, para ser dispensado do depoimento como testemunha no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
O pedido foi encaminhado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que representa o almirante.
Olsen foi arrolado como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, um dos oito réus na ação penal, que também inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O depoimento de Olsen estava marcado para esta sexta-feira, 23, mas, segundo o pedido, ele afirma “desconhecer os fatos objeto de apreciação na presente ação penal”.
STF ouve testemunhas
A fase de depoimentos no processo contra o núcleo central da trama golpista começou na última segunda-feira.
Ao todo, 82 testemunhas devem ser ouvidas até 2 de junho. As oitivas, conduzidas por juízes auxiliares do gabinete de Alexandre de Moraes, são realizadas por videoconferência e acompanhadas pelas defesas dos réus, representantes da PGR e ministros do STF.
Réus como Jair Bolsonaro e o general Walter Braga Netto acompanham as sessões por videoconferência. Bolsonaro assiste de seu gabinete no PL, em Brasília, enquanto Braga Netto participa da prisão especial em que está detido, em uma unidade militar no Rio de Janeiro.
Entre os réus estão, além de Bolsonaro e Garnier, o deputado Alexandre Ramagem (ex-chefe da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-chefe do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
O grupo responde por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. As penas, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Garnier foi alvo de busca da PF
Almir Garnier é acusado de ter aderido a um plano apresentado por Bolsonaro que previa medidas para anular o resultado das eleições presidenciais.
Segundo o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior, Garnier teria colocado tropas da Marinha à disposição do então presidente, diferentemente de outros comandantes militares da época.
Em fevereiro do ano passado, Almir Garnier foi alvo de mandado de busca e apreensão expedido pelo STF a pedido da Polícia Federal.
Em mensagem enviada a amigos após a ação, o almirante informou que teve “telefone e papéis” recolhidos e pediu orações. “Fui acordado em minha casa hoje, às 6h15 da manhã, pela Polícia Federal. Estando acompanhado apenas do Espírito Santo”, escreveu.
Segundo a PF, Garnier participou de uma reunião no Palácio da Alvorada, em 7 de dezembro de 2022, na qual Bolsonaro e aliados discutiram uma minuta de decreto para reverter o resultado eleitoral.
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Comentários (1)
Fabio B
22.05.2025 09:19Esse Garnier precisa rodar bonito junto com o Bolsonaro.