UE e Reino Unido impõem novas sanções contra Rússia
Chefe da diplomacia europeia diz que as medidas foram implementadas para “mostrar as severas consequências” das ações de Moscou
A União Europeia (UE) e o Reino Unido anunciaram nesta terça-feira, 20, a imposição de novas sanções contra a Rússia na tentativa de pressionar o governo de Vladimir Putin a aceitar um cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia.
As medidas atingem 189 navios de uma “frota fantasma” russa, que atua no transporte ilegal de petróleo para escapar das sanções ocidentais aplicadas desde o início do conflito. Além dos embarcadores, as sanções congelam bens e restringem viagens de autoridades e representantes de empresas russas envolvidas no esquema.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que, apesar das tentativas do ditador russo de aparentar interesse em negociações, novas sanções estão em curso para “mostrar as severas consequências” das ações de Moscou.
A frota paralela inclui cerca de 500 navios antigos, de propriedade obscura e condições de segurança duvidosas, que mantêm o comércio de petróleo russo — incluindo óleo diesel e gasolina — contornando o limite de preço de US$ 60 por barril imposto pelo G7.
Navios dessa frota também são suspeitos de sabotagem a cabos submarinos de energia na Europa, como a apreensão em dezembro do petroleiro Eagle S, suspeito de danificar o cabo Estlink 2 entre Finlândia e Estônia.
Desde o início da guerra, a UE já sancionou cerca de 2,4 mil pessoas e entidades russas, entre elas agências governamentais, bancos e empresas.
O Reino Unido também aplicou 100 novas sanções, que incluem entidades ligadas às forças armadas russas, exportações de energia, guerra de informação e instituições financeiras que financiam o conflito. Londres também sancionou 18 navios da frota paralela.
O secretário de Relações Exteriores britânico, David Lammy, criticou Putin e pediu cessar-fogo total e incondicional para que se possa negociar uma “paz justa e duradoura”.
Sem adesão dos EUA
O anúncio foi feito um dia depois da conversa entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador Vladimir Putin, que não resultou em compromisso russo para o cessar-fogo.
Apesar da pressão europeia para que os EUA se unissem às sanções, Washington não aderiu às novas medidas.
Líderes europeus, incluindo representantes do Reino Unido, França, Alemanha e Polônia, viajaram recentemente a Kiev e mantiveram contatos com Trump pedindo unidade na imposição de sanções mais duras. A falta de alinhamento reforça a percepção em Kiev de que Putin não deseja a paz e busca apenas ganhar tempo.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, elogiou as sanções europeias e pediu mais pressão para restringir a indústria militar russa e a frota de petroleiros, que financia a guerra. Zelensky afirmou que a guerra deve ser resolvida por negociações reais, com propostas claras e realistas.
Já o Kremlin reagiu acusando a UE de tentar impedir o diálogo e reafirmou que não aceita ultimatos. O porta-voz Dmitry Peskov disse que não há prazo para o início das negociações, pois “o diabo está nos detalhes”.
Na última rodada de conversas em Istambul, Moscou exigiu que a Ucrânia retirasse suas tropas de cinco regiões, incluindo áreas ainda sob controle ucraniano, condição rejeitada por Kiev.
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