Ex-ministro de Dilma critica governo Lula por bloquear verbas para universidades federais
Renato Janine Ribeiro manifestou “profunda preocupação” com um decreto assinado por Lula em 30 de abril
Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff (PT) e atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), criticou o governo Lula (PT) por restringir o orçamento das universidades federais. Segundo ele, a medida ameaça tanto a pesquisa científica quanto o acesso à educação superior pública no país.
A crítica veio em nota conjunta assinada por Janine e pela presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Bonciani Nader, em que as duas entidades expressam “profunda preocupação” com um decreto assinado por Lula em 30 de abril.
O texto permite ao Ministério da Educação liberar até novembro apenas 61% do orçamento previsto para cada universidade.
Segundo as entidades, a limitação compromete o funcionamento básico das instituições e afeta diretamente suas atividades administrativas, acadêmicas e científicas.
“Mais de 90% da pesquisa científica brasileira é resultado das pesquisas realizadas nas universidades públicas do país. A limitação orçamentária imposta não somente ameaça a continuidade das pesquisas, como também compromete a formação de profissionais altamente qualificados”, diz o comunicado assinado por Janine.
O texto também aponta que a política orçamentária atinge de forma particular os estudantes de baixa renda:
“As universidades públicas são a porta de entrada para milhares de estudantes pobres, negros e periféricos que dependem delas para romper o ciclo da desigualdade, empurrando os mais vulneráveis para o ensino privado e o endividamento.”
Em 2022, PT chamou bloqueio de ‘atentado criminoso’
Durante o governo Jair Bolsonaro, medidas semelhantes de bloqueio orçamentário para Educação foram duramente criticadas pelo PT.
Em novembro de 2022, a então presidente do partido, Gleisi Hoffmann, chamou um corte de R$ 244 milhões de “atentado criminoso contra a educação brasileira”.
Na época, a verba serviria para cobrir despesas básicas das instituições, como contas de água, luz e salários de funcionários terceirizados.
Em publicação no site de Gleisi, Bolsonaro foi descrito como “o inimigo número um do ensino no Brasil” e acusado de “investir contra as universidades”.
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