Boris Johnson acusa Starmer de “traição deliberada” ao Brexit
Ex-premiê critica novo acordo Reino Unido-UE e diz que país virou "submisso de Bruxelas"
O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson classificou o novo acordo entre o Reino Unido e a União Europeia, anunciado na segunda-feira, 19, como uma “traição completa e deliberada” ao Brexit.
Em entrevista à GB News, Johnson afirmou que o primeiro-ministro Keir Starmer transformou o país em um “seguidor de regras” da UE, submetendo-se à jurisdição do Tribunal de Justiça Europeu e comprometendo a soberania nacional.
Johnson criticou especialmente a extensão por 12 anos do acesso de embarcações europeias às águas britânicas, medida que, segundo ele, representa uma “venda total” da indústria pesqueira do Reino Unido.
O ex-premiê também apontou que o acordo inclui um alinhamento dinâmico com normas ambientais da UE, o que limitaria a autonomia britânica em políticas regulatórias.
Outro ponto de crítica foi a proposta de um esquema de mobilidade juvenil, que permitiria a jovens europeus entre 18 e 30 anos viver, trabalhar ou estudar temporariamente no Reino Unido. Johnson argumentou que isso reintroduz a livre circulação de pessoas, contrariando um dos pilares do Brexit.
O ex-primeiro-ministro também condenou a retomada de contribuições financeiras britânicas para programas da UE, como o Horizon Europe e o fundo de defesa europeu SAFE, avaliando que o país está “pagando para ser governado por Bruxelas”.
Em resposta, Keir Starmer defendeu o acordo como um “ganha-ganha”, destacando que ele pode adicionar £9 bilhões à economia britânica até 2040, reduzir preços de alimentos e facilitar viagens para cidadãos britânicos na UE.
Starmer enfatizou que o pacto não reverte o Brexit, mas busca uma relação mais pragmática com o bloco europeu.
O novo acordo também prevê a reintegração do Reino Unido ao programa Erasmus+, a eliminação de barreiras comerciais para produtos agroalimentares e a participação em projetos de defesa da UE.
Apesar das críticas de setores conservadores e da indústria pesqueira escocesa, líderes empresariais e entidades como o CBI e o British Retail Consortium elogiaram o pacto por promover estabilidade comercial e reduzir custos.
O Parlamento britânico deverá votar o acordo nas próximas semanas, em meio a um cenário político polarizado e com pressões de partidos eurocéticos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
José Góis Chilão
24.05.2025 05:57O recente acordo do premier britânico Keir Starmer com a União Europeia obteve uma aprovação esmagadora das pequenas e grandes empresas, mas fósseis como Boris Johnson, Daniel Hannan e Jacob Rees-Mogg continuam a criticar, totalmente fora de realidade. Os gritos de traição dos eurocéticos como Boris Johnson e Jacob Rees-Mogg e Mark Francois perante a tentativa do governo britânico de reconstruir pontes com os aliados europeus soaram mais a piadas vindas de quem enganou os eleitores britânicos. O Brexit foi um ato de autossabotagem e os uivos de traição não passam de xingamentos de perdedores.