Espanha chama Israel de “genocida” e provoca crise diplomática
Primeiro-ministro Pedro Sánchez nega relações comerciais com Israel, apesar de 46 contratos militares em vigor
O governo de Israel convocou a embaixadora da Espanha, Ana Salomon, para uma reprimenda formal nesta quinta, 15, após o primeiro-ministro Pedro Sánchez (foto) chamar Israel de “Estado genocida” durante uma sessão na Câmara dos Deputados, na quarta, 14.
A declaração reacendeu a crise diplomática entre os dois países, marcada por tensões desde o início da guerra contra o Hamas, em outubro de 2023.
A fala de Sánchez foi uma resposta à acusação feita pelo deputado Gabriel Rufián, da Esquerda Republicana da Catalunha, de que o governo espanhol manteria vínculos comerciais com Israel.
“Não fazemos negócios com um Estado genocida”, afirmou Sánchez, reiterando o termo usado pelo parlamentar.
Apesar da negativa, dados do Centro Delàs de Estudos pela Paz apontam que, desde outubro de 2023, o governo espanhol firmou 46 contratos de defesa com empresas israelenses, no valor total de US$ 1,2 bilhão.
Além disso, o comércio bilateral entre os dois países ultrapassa US$ 3 bilhões por ano, com predominância de exportações espanholas.
A declaração contrasta com o embargo total de armas anunciado por Madri após o massacre do Hamas em 7 de outubro.
Em novembro, veio à tona um contrato de compra de 15 milhões de munições 9mm com uma empresa israelense.
O governo afirmou ter cancelado o acordo, mas em abril de 2025 o compromisso ainda estava vigente, o que levou o Executivo a prometer rompimento unilateral.
Pedro Sánchez tem mantido postura crítica ao governo israelense.
Em novembro de 2023, acusou Israel de violar o direito internacional em Gaza e exigiu cessar-fogo imediato. Em maio de 2024, reconheceu unilateralmente o Estado palestino e, em outubro, defendeu o fim do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel.
A resposta israelense à nova declaração de Sánchez foi imediata.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou: “Diante das graves declarações do primeiro-ministro da Espanha, a embaixadora Ana Salomon foi convocada para uma reunião de repreensão no ministério, em Jerusalém”.
A retórica adotada por Sánchez amplia o isolamento do governo espanhol em setores diplomáticos europeus e fortalece críticas sobre a inconsistência entre seu discurso e sua prática comercial.
Em redes sociais, grupos pró-Israel classificaram a declaração como antissemita, enquanto setores de esquerda celebraram a postura do premiê espanhol.
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