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Veja como o climatério e a menopausa afetam a saúde das mulheres

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8 minutos de leitura 15.05.2025 17:00 comentários
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Veja como o climatério e a menopausa afetam a saúde das mulheres

As oscilações hormonais podem trazer diversos sintomas físicos e emocionais

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Embora mais de 30 milhões de brasileiras estejam vivendo o climatério ou a menopausa, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo, 2024), a maioria dessas mulheres ainda enfrenta dificuldades para identificar essa fase e receber orientação adequada.

O número de diagnósticos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) — pouco mais de 238 mil — mostra o quanto o climatério continua invisível para o sistema de saúde. A falta de informação, por sua vez, pode agravar sintomas físicos e emocionais que já são desafiadores por si só.

A nutricionista Lica Stefani, especialista em saúde feminina e menopausa, explica que, embora a idade média da menopausa natural no Brasil seja de 51,2 anos (dados da Universidade Estadual de Campinas com mulheres de Campinas), muitas começam a sentir os efeitos do climatério até 10 anos antes da menopausa.

“O climatério é a fase de transição que antecede a menopausa, marcada por oscilações hormonais que podem durar anos e trazer diversos sintomas físicos e emocionais, e frequentemente as mulheres engordam muito nesta fase”, esclarece.

Causas do ganho de peso no climatério e na menopausa

Lica Stefani explica que a queda do estrogênio durante a menopausa provoca duas alterações significativas: a redistribuição da gordura corporal (que migra dos quadris e coxas para a região abdominal, aumentando o risco de doenças cardiovasculares) e o desenvolvimento de resistência à insulina, que favorece o acúmulo de gordura visceral. Paralelamente, ocorre a perda progressiva de massa muscular (sarcopenia), que se intensifica nessa fase e reduz o metabolismo basal em até 30%, facilitando o ganho de peso mesmo sem mudanças na alimentação.

Além disso, os distúrbios do sono (como insônia e suores noturnos) elevam os níveis de cortisol, hormônio que promove o acúmulo de gordura abdominal. “Dados globais revelam que 65,5% das mulheres entre 40-59 anos e 73,8% acima de 60 anos apresentam obesidade abdominal, com risco 1,66 vezes maior de desenvolver sobrepeso independentemente da idade ou atividade física. Essas transformações destacam a importância de estratégias específicas para preservar a saúde metabólica nessa fase”, enfatiza.

Sintomas do climatério

Enquanto a maioria das pessoas associa o climatério a poucos sintomas — como ondas de calor (fogachos), alterações de humor e irregularidade menstrual —, a realidade é que existem mais de 40 sintomas possíveis.

“Na minha prática clínica, vejo mulheres sofrendo com sintomas pouco discutidos, como irritabilidade e depressão, cansaço extremo, aumento do colesterol, névoa mental (dificuldade de concentração e memória), incontinência urinária e mudanças na pele e cabelos, além do aumento significativo de peso, com mudanças na distribuição de gordura corporal, que fica mais concentrada na barriga”, explica Lica Stefani. 

Além dos sintomas já mencionados, há a possibilidade de alterações menstruais (como irregularidade nos ciclos e mudanças no fluxo), distúrbios do sono (insônia e dificuldade para dormir), secura vaginal (que pode causar dor durante relações sexuais) e maior risco de problemas ósseos, como osteoporose.

“Infelizmente, a maioria das mulheres não conhece e nem se informa na fase prévia sobre a menopausa, ou que poderia com tratamentos preventivos melhorar muito a qualidade de vida neste ciclo. O preconceito e desinformação sobre essa fase da vida da mulher são minimizados até mesmo por profissionais de saúde”, declara Lica Stefani. 

A nutricionista indica o podcast “Zen Vergonha”, apresentado por Fernanda Lima, como uma importante ferramenta para desmistificar a menopausa e entender melhor tudo um pouco do que pode existir neste período. “O programa aborda com leveza e informação o que realmente acontece com as mulheres nessa fase, quebrando tabus e mostrando que não precisamos sofrer em silêncio”, complementa.

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O climatério pode impactar a qualidade de vida das mulheres de diferentes maneiras (Imagem: Premreuthai | Shutterstock)

Impactos no climatério na qualidade de vida

Embora o climatério atinja milhões de mulheres no auge de suas vidas pessoais e profissionais, seus efeitos físicos, emocionais e econômicos ainda recebem pouca atenção e reconhecimento, tanto na saúde pública quanto no ambiente de trabalho.

“De acordo com a pesquisa da Astellas, 47% das mulheres relatam queda de produtividade devido a sintomas do climatério. E, só nos Estados Unidos, o impacto econômico da menopausa chega a mais de US$ 26,6 bilhões (R$ 150,9 bilhões), segundo estudo da Mayo Clinic. Esse valor engloba custos diretos com saúde e indiretos resultantes da perda de produtividade e absenteísmo”, conta a nutricionista. Ainda de acordo com o estudo da Mayo Clinic, uma parte desses efeitos financeiros — aproximadamente US$ 1,8 bilhões (R$ 10,2 bilhões) — pode ser atribuída à perda de produtividade.

“Infelizmente, algumas mulheres sentem como se o cérebro estivesse fritando com as ondas de calor. O humor muda muito e negativamente, as pessoas ficam reativas e briguentas, intolerantes e pouco pacientes. O sono fica estragado e, com isso, o dia todo também”, comenta Lica Stefani.

Mas os impactos do climatério não param por aí. “No psicológico, existe um luto quando a pessoa para de ter óvulos sendo gerados e isso é muito associado ao envelhecimento, que na nossa sociedade é tratado como um fantasma. E, para piorar, os maridos e companheiros, ou os homens ao redor, incluindo chefes, acham que é frescura, um fato que deixa as mulheres muito enraivecidas”, acrescenta.

Em sua experiência clínica, Lica Stefani observa que muitas mulheres encontram apoio e resultados significativos ao participar de grupos de nutrição focados na menopausa. “O compartilhamento de experiências e o acompanhamento especializado fazem toda a diferença”, afirma. Ao participarem dos grupos, as mulheres deixam de se sentir isoladas e têm com quem trocar informações. 

Cuidados com a alimentação no climatério

A especialista diz que há muitas maneiras de a nutrição auxiliar mulheres no climatério, em especial para reduzir sintomas e manter o corpo em equilíbrio. Abaixo, Lica Stefani lista três dicas essenciais:

  1. Incluir fontes de fitoestrógenos na alimentação, como soja, linhaça e gergelim, que podem ajudar a modular os sintomas hormonais. “Estudos mostram que o consumo regular desses alimentos está associado à redução de fogachos e melhora do perfil lipídico”, explica.
  2. Priorizar alimentos ricos em cálcio e vitamina D para proteção óssea. “Além disso, laticínios, vegetais verde-escuros, como couve e brócolis, e a exposição solar segura são importantes aliados”, recomenda.
  3. Manter uma boa hidratação e consumir alimentos anti-inflamatórios. “Adequar a ingestão de água e incluir alimentos com gorduras boas, como peixes, azeite de oliva extravirgem, nozes e castanhas, além de frutas vermelhas, ajuda a combater a inflamação crônica que piora muitos sintomas do climatério”, diz a nutricionista.

Efeitos das alterações hormonais

Durante a transição para a menopausa, o corpo da mulher passa por profundas mudanças hormonais que afetam praticamente todos os sistemas orgânicos. A nutricionista Lica Stefani explica que o principal motor dessas transformações é o declínio progressivo dos hormônios sexuais, especialmente o estrogênio e a progesterona, que regulam não apenas a reprodução, mas também o metabolismo, a saúde cardiovascular, a função cognitiva e o equilíbrio emocional. 

À medida que os ovários reduzem sua produção hormonal, o hipotálamo (região cerebral que controla a temperatura corporal) fica desregulado, causando os famosos fogachos, enquanto a diminuição de estrogênio afeta a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, levando a alterações de humor, ansiedade e até depressão.

A redução do estrogênio provoca uma cascata de efeitos em todo o organismo: na pele e mucosas, leva ao ressecamento vaginal e à perda de colágeno; nos ossos, acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose; no sistema cardiovascular, altera o perfil lipídico, elevando o colesterol LDL e reduzindo o HDL.

Além disso, a resistência à insulina se desenvolve mais facilmente, explicando o ganho de peso e a redistribuição da gordura para a região abdominal. O sistema urinário também é afetado, com maior probabilidade de incontinência, e o cérebro sofre com a “névoa mental” – dificuldade de concentração e lapsos de memória – devido às flutuações hormonais que impactam a função cognitiva.

Nutrição como uma grande aliada

Diante de todos esses efeitos no organismo, uma boa nutrição é essencial e faz toda a diferença para as mulheres. “Essas mudanças não ocorrem de forma isolada, mas, sim, em um efeito dominó. Por exemplo, os distúrbios do sono (comuns devido aos fogachos noturnos e à queda na produção de melatonina) agravam a fadiga e o humor, enquanto a inflamação crônica de baixo grau, típica dessa fase, intensifica dores articulares e o risco metabólico. O corpo, que antes funcionava em um equilíbrio hormonal preciso, necessita se adaptar a uma nova realidade — e é essa transição complexa, que pode durar anos”, afirma. 

Diante de tantas transformações físicas e emocionais, é fundamental compreender que a nutrição vai além de uma simples escolha alimentar: trata-se de um cuidado estratégico com o corpo e a mente. Adaptar a dieta ao novo contexto hormonal pode restaurar o equilíbrio e melhorar a qualidade de vida.

Por Gil Stefani

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