No festival de Cannes, De Niro volta a atacar Trump
Robert De Niro acredita que a arte e a criatividade estão sob ameaça no cenário político atual
Recebendo uma Palma de Ouro honorária no Festival de Cinema de Cannes, na terça-feira, 13, o ator Robert De Niro aproveitou seu discurso para disparar críticas ao presidente americano Donald Trump.
Em uma fala que ressoou com a audiência, o duas vezes vencedor do Oscar classificou Trump como um “filisteu da América”, e alertou que a arte e a criatividade estão sob ameaça no cenário político atual.
De Niro enfatizou que a luta pela democracia, que antes era dada como certa em seu país, agora é urgente e afeta a todos. Ele descreveu a arte como um “cadinho que une as pessoas”, e afirmou que ela busca a verdade e abraça a diversidade.
É precisamente por essas características, segundo o ator, que a arte se torna uma ameaça para autocratas e fascistas, tornando aqueles que a criam igualmente ameaçadores para tais figuras.
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Arte sob ataque e um chamado à luta
O discurso de De Niro detalhou várias ações do governo Trump, que ele considera ataques inaceitáveis à cultura e à criatividade. Ele destacou a nomeação do presidente para a chefia de uma das principais instituições culturais dos Estados Unidos, o Kennedy Center.
Além disso, o ator criticou os cortes no financiamento e no apoio às artes, humanidades e educação. O governo Trump acaba de anunciar mais um corte de US$ 450 milhões em verbas da Universidade de Harvard.
De Niro expressou incredulidade com a ideia de que, embora não se possa precificar a criatividade, aparentemente é possível aplicar tarifas a ela. Ele sublinhou que todos esses ataques são inaceitáveis e constituem não apenas um problema americano, mas uma questão global.
Segundo o jornalista Tomás Mier, as palavras de De Niro foram recebidas com aplausos do público presente, incluindo o ator Leonardo DiCaprio.
De Niro instou a audiência a não permanecer passiva, comparando a situação a um filme a que não se pode apenas assistir. Ele convocou as pessoas a agir “sem violência, mas com grande paixão e determinação”, sugerindo a organização, o protesto e o voto como formas de “mostrar nossa força” durante o festival de cinema.
Este não é o primeiro momento em que De Niro expressa publicamente sua oposição a Trump. O ator tem sido consistentemente crítico ao longo dos anos, tendo manifestado suas opiniões em eventos anteriores, como uma exibição de Megalopolis, filme de Francis Ford Coppola, e um evento da campanha Biden-Harris em maio de 2024.
Em uma entrevista concedida em dezembro de 2023 à Rolling Stone, De Niro declarou que sua prioridade era se livrar de Trump. Naquela ocasião, ele descreveu Trump como um “monstro”, afirmando que ele “traz o pior nas pessoas”.
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