Trump se reúne com novo líder da Síria, ex-Al Qaeda
Encontro ocorreu um dia depois de o presidente dos EUA anunciar suspensão de todas as sanções americanas contra o novo governo de Damasco
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu nesta quarta-feira, 14, em Riad, na Arábia Saudita, com o líder sírio Ahmed al Sharaa. O encontro aconteceu um dia depois de o republicano anunciar a suspensão de todas as sanções americanas contra o novo governo de Damasco.
A reunião, que durou 33 minutos, foi realizada durante um encontro especial do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) na capital saudita. É a primeira vez em 25 anos que líderes dos dois países se encontram.
Participaram também do encontro o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que entrou por videoconferência.
Na véspera, Trump havia justificado a suspensão das sanções durante um discurso em um fórum de investimentos em Riad, afirmando que era “hora de a Síria brilhar” e que o país teria agora “uma chance de grandeza”.
Segundo ele, a decisão foi tomada após conversas com bin Salman e Erdogan, que vinham pressionando por uma reaproximação com Damasco.
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Síria pós-Assad
A medida representa um aceno ao novo governo sírio, instalado após a queda do ditador Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
O fim de mais de cinco décadas de governo da família Assad abriu caminho para uma transição política liderada por al Sharaa, ex-comandante da ala síria da Al-Qaeda, que abandonou o grupo em 2016 e desde então tem buscado apoio de potências regionais como a Arábia Saudita.
Durante a reunião, Trump encorajou al Sharaa a aderir aos Acordos de Abraão, que visam normalizar relações com Israel. Pediu ainda que o líder sírio expulse combatentes estrangeiros do país, deportando inclusive terroristas palestinos, e assuma o controle dos centros de detenção do Estado Islâmico (EI) no norte da Síria. Também foi discutida a retomada de esforços para impedir o ressurgimento do EI na região.
Segundo comunicado da Casa Branca, al Sharaa reafirmou seu compromisso com os acordos de 1974 nas Colinas de Golã e convidou empresas americanas a investir nos setores de petróleo e gás sírios.
Apesar do histórico terrorista de al Sharaa, Trump demonstrou confiança em sua liderança, afirmando que ele “tem uma grande oportunidade de fazer algo histórico”.
A decisão do presidente americano enfrenta resistência de aliados como Israel, que ainda descreve al Sharaa como um jihadista. O governo israelense não comentou oficialmente a mudança de postura de Washington.
Giro de Trump pelo Oriente Médio
A visita de Trump à Arábia Saudita marca o início de um giro de quatro dias pelo Golfo Pérsico. Ainda nesta quarta-feira, ele seguirá para o Catar, onde se encontrará com o emir Tamim bin Hamad al-Thani. O país árabe deve anunciar novos investimentos de centenas de bilhões de dólares nos EUA.
Na passagem por Riad, Trump assinou acordos bilionários com o reino saudita, incluindo US$ 600 bilhões em investimentos e US$ 142 bilhões em vendas de armas.
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