Governo americano corta mais US$ 450 milhões em verbas de Harvard
Universidade acusa tentativa de controle político; governo Trump retira montante que chega a R$ 13,5 bilhões no total até o momento
A Universidade de Harvard perdeu nesta terça, 13, mais US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) em subsídios federais, após novo confronto com o governo dos Estados Unidos.
A medida foi anunciada por um grupo de oito agências federais lideradas pelo Departamento de Educação, elevando para US$ 2,65 bilhões (R$ 13,5 bilhões) o total de verbas bloqueadas desde a semana anterior.
O governo Trump acusa Harvard de falhar no combate ao antissemitismo e de manter políticas de ação afirmativa e diversidade consideradas ilegais.
Em nota conjunta, o Departamento de Educação, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos e a Administração de Serviços Gerais classificaram a universidade como um “símbolo de sinalização de virtude e discriminação” e afirmaram que “não é liberdade acadêmica, é renúncia institucional”.
O reitor de Harvard, Alan Garber, enviou na véspera uma carta à secretária de Educação, Linda McMahon, criticando o que chamou de “interferência excessiva do governo federal” e pedindo espaço para que a instituição lidasse com as questões de forma autônoma.
“Harvard já adotou medidas concretas e seguirá em frente com seu plano próprio para proteger seus alunos e valores”, escreveu. A resposta foi negativa e veio acompanhada do novo corte.
O relatório federal que embasou as sanções aponta que 27% dos estudantes judeus da universidade se sentem fisicamente inseguros no campus e que quase 60% relataram episódios de preconceito e “estereótipos negativos”.
O documento menciona também críticas anti-Israel que teriam ultrapassado o limite da liberdade de expressão e incentivado hostilidade contra judeus.
A crise se intensificou após um acampamento pró-Hamas realizado por alunos em 2024.
Segundo investigações do Congresso, cerca de 70 estudantes participaram do protesto, que incluiu a ocupação de um prédio universitário, sem que medidas disciplinares significativas tenham sido tomadas.
Harvard ampliou a ação judicial contra o governo federal, sustentando que os cortes são uma forma de retaliação política e violam a Constituição dos EUA.
A universidade argumenta que as exigências para reversão das sanções incluem controle ideológico e práticas inaceitáveis, como auditorias em departamentos acadêmicos e revisão forçada de políticas de inclusão.
Apesar dos cortes, verbas destinadas a bolsas estudantis e financiamentos, como os programas Pell e de empréstimos federais, continuam preservadas por enquanto.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)