Justiça autoriza buscas contra ex-prefeita de Saquarema por suspeita de peculato
Mandados miram suspeitas de fraudes em contratos que somam R$ 326 milhões durante gestão de Manoela Peres
Policiais e agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), com apoio de oficiais do Tribunal de Justiça do Rio, cumpriram nesta terça, 13, trinta mandados de busca e apreensão em uma operação que apura suspeitas de peculato e organização criminosa envolvendo a ex-prefeita de Saquarema Manoela Peres (foto).
Atualmente secretária municipal de Governança e Sustentabilidade, Manoela é investigada por atos cometidos durante sua gestão como prefeita.
Também é alvo da ação o secretário municipal de Relações Institucionais, Antônio Peres Alves, ex-marido de Manoela.
A operação alcança ainda outras 18 pessoas físicas e 10 empresas com atuação nos municípios de Saquarema, Rio de Janeiro, Niterói, Maricá, São João de Meriti e São Gonçalo.
Segundo o procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, os contratos sob investigação ultrapassam R$ 326 milhões e há indícios de sobrepreço já identificados pelo Tribunal de Contas do Estado. “Onde houver sinais de fraudes e enriquecimento ilícito com recursos públicos, o Ministério Público vai atuar com rigor”, afirmou.
A investigação tem como foco a coleta de provas relacionadas à gestão contratual da prefeitura, inclusive com empresas que teriam vínculos com a Confederação Brasileira de Vôlei e que receberam recursos do Banco do Brasil por meio de contratos de patrocínio.
O episódio se soma a uma série de suspeitas envolvendo a gestão de Manoela Peres, que comandou a prefeitura entre 2017 e 2024.
Em agosto do ano passado, a então prefeita foi afastada por decisão do Tribunal de Justiça do Rio, no âmbito de uma ação de improbidade administrativa movida pelo vice-prefeito, Rômulo Carvalho de Almeida.
A ação alegava a existência de uma rede familiar voltada ao favorecimento de contratos públicos, especialmente no programa “Conexão do Futuro”, que movimentou mais de R$ 326 milhões.
A medida foi revertida pelo Supremo Tribunal Federal, que apontou vício de origem na ação, apresentada por um adversário político sem a devida representação legal do município. Manoela retomou o cargo e concluiu o mandato.
Após a eleição da atual prefeita, Lucimar Vidal, foi nomeada secretária municipal, mantendo influência na administração.
As investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas identificaram indícios de favorecimento a empresas de parentes e aliados políticos, contratos de alto valor com organizações sociais sem histórico comprovado de atuação pública e pagamentos a entidades ligadas diretamente ao núcleo familiar da ex-prefeita.
O TCE chegou a suspender repasses ao Instituto de Desenvolvimento, Pesquisa e Inovação (IDPI) e a exigir explicações da prefeita e do então secretário de Educação.
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