Alemanha desmonta organização que planejava restaurar o Império de 1871
Grupo com milhares de seguidores criou estruturas paralelas ao Estado, promovia teorias conspiratórias e foi alvo de uma operação nacional
O governo alemão desmantelou nesta terça, 13, a organização Königreich Deutschland (“Reino da Alemanha”), acusada de ameaçar a ordem constitucional com estruturas paralelas, teorias conspiratórias e rejeição explícita ao Estado democrático.
Quatro dos principais integrantes foram presos, incluindo Peter Fitzek (foto), autoproclamado “rei” do grupo, durante uma operação policial que mobilizou centenas de agentes em sete estados.
A organização, fundada por Fitzek em 2012, afirmava ter cerca de seis mil seguidores e operava como um suposto “Estado soberano”, com moeda própria, documentos de identidade, sistema de seguros e tentativas de formar comunidades autônomas.
O grupo fazia parte do movimento mais amplo dos Reichsbürger (“Cidadãos do Reich”), que nega a legitimidade da República Federal da Alemanha e sustenta que o antigo Império Alemão de 1871 ainda existe legalmente.
Segundo o ministério do Interior, o Königreich Deutschland promovia ataques sistemáticos à ordem democrática liberal e financiava suas atividades com transações bancárias e de seguros ilegais, além de doações.
O ministro Alexander Dobrindt afirmou que os membros criaram um “contrapoder” com “estruturas econômicas criminosas” e buscavam minar o monopólio estatal da força por meio de práticas anticonstitucionais.
Peter Fitzek, ex-chef de cozinha e instrutor de karatê, já havia sido condenado por operar um banco clandestino e por apropriação de recursos de seus seguidores. Ele centralizava todas as decisões e defendia a restauração do Império Alemão como fronteira legítima do que chamava de reino.
O movimento Reichsbürger, ao qual o grupo pertence, é monitorado pelos serviços de inteligência desde que passou a demonstrar potencial violento.
Em 2022, integrantes foram presos por conspirar para derrubar o governo e instalar um aristocrata como novo chefe de Estado. Estima-se que o movimento reúna cerca de 23 mil adeptos, sendo mais de dois mil classificados como potencialmente perigosos.
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