“Os houthis são um osso duro de roer”
Seth J. Frantzman, analista americano, explica como o ataque dos houthis ao aeroporto Ben-Gurion pode forçar Israel a repensar sua estratégia
O analista americano Seth J. Frantzman publicou nesta domingo, 4, artigo intitulado “Por que o míssil houthi perto de Ben-Gurion pode mudar a estratégia israelense”, no Jerusalem Post.
Frantzman analisa o impacto do ataque com míssil lançado pelos houthis que atingiu a área do aeroporto Ben-Gurion, em Israel, nesta manhã, levando algumas companhias aéreas a cancelarem voos.
Para ele, “um míssil, ou fragmento de míssil, ou mesmo fragmentos de um interceptador, caindo perto de um grande aeroporto é uma ameaça estratégica”.
O autor destaca que, apesar de Israel ter permitido que os houthis lançassem mísseis de longo alcance ao longo do último ano, confiando na capacidade de interceptação de seus sistemas de defesa, o ataque deste domingo “pode ser um divisor de águas”.
Ele explica que, até então, Israel fez apenas alguns ataques de retaliação, enquanto os Estados Unidos intensificaram sua própria campanha contra os houthis desde 15 de março, usando pelo menos dois porta-aviões.
Frantzman relembra que os houthis, apoiados pelo Irã, têm surpreendido a região há mais de dez anos, se transformando de um grupo rebelde pobre no Iêmen em uma ameaça regional com um “programa de mísseis balísticos e drones” que já atingiu profundamente a Arábia Saudita.
Ele aponta que, mesmo com a intervenção saudita e de seus aliados a partir de 2015, os houthis continuaram consolidando seu poder, resistindo até mesmo à campanha militar Prosperity Guardian, apoiada pelos Estados Unidos em 2024.
O analista descreve que a trégua frágil em 2022 e o acordo mediado pela China em 2023 entre Arábia Saudita e Irã diminuíram o conflito no Iêmen, mas permitiram que os houthis fortalecessem suas capacidades militares.
Após o massacre do Hamas em Israel em 7 de outubro, os houthis ampliaram suas ameaças a Israel, incluindo o uso de drones e mísseis de longo alcance. “Eles foram capazes de estender o alcance de seus drones e mísseis para além de 2.000 km, de forma que poderiam alcançar Israel”, escreve Frantzman.
O texto ressalta que a estratégia de Israel tem sido reativa, dependendo da interceptação dos mísseis, mas Frantzman alerta que “os houthis são um osso duro de roer. O poder aéreo provavelmente não é suficiente para parar eles”.
Ele destaca que o desafio está em localizar e destruir os lançadores móveis escondidos nas montanhas do Iêmen, comparando a situação com a “Grande Caça aos Scud” durante a Guerra do Golfo de 1991, quando os Estados Unidos tiveram dificuldades para achar e destruir os lançadores móveis de mísseis iraquianos.
Frantzman conclui que, enquanto o Irã pode ter algum controle sobre os houthis, é incerto se essa influência vai ser suficiente para impedir novos ataques.
Para ele, o recente ataque ao aeroporto Ben-Gurion coloca Israel diante de uma questão urgente: como parar uma ameaça que se esconde nas montanhas e mantém uma capacidade comprovada de atacar alvos estratégicos a longa distância.
Quem é Seth J. Frantzman
Seth J. Frantzman é um analista americano especializado em política do Oriente Médio e segurança internacional.
É colunista e correspondente do Jerusalem Post, além de autor de livros sobre segurança e terrorismo na região. Seu trabalho foca em questões de segurança israelense, ameaças regionais e o papel do Irã no Oriente Médio.
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