Índia e Paquistão anunciam cessar-fogo
Donald Trump foi o primeiro a divulgar o acordo
A Índia e o Paquistão anunciaram neste sábado, 10, um cessar-fogo “completo e imediato” após quatro dias de confrontos intensos que deixaram ao menos 66 mortos, segundo dados dos dois lados.
A trégua foi acertada horas depois de uma rodada de negociações, mediada principalmente pelos Estados Unidos, e deve ser seguida de uma nova reunião na segunda-feira, 12.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi o primeiro a divulgar o acordo.
“Após uma longa noite de negociações mediadas pelos Estados Unidos, tenho o prazer de anunciar que Índia e Paquistão concordaram com um cessar-fogo completo. Parabéns a ambos os países por usarem o bom senso e grande inteligência”, escreveu em sua rede social, a Truth Social.
A trégua ocorre após a escalada mais grave entre os países nos últimos 20 anos. O conflito foi deflagrado por um atentado em 22 de abril, na cidade turística de Pahalgam, na região da Caxemira sob controle indiano.
O ataque deixou 26 mortos, a maioria hindus. Nova Délhi responsabilizou o grupo jihadista Lashkar-e-Taiba (LeT), sediado no Paquistão e designado como terrorista pela ONU. Islamabad negou envolvimento.
Ao longo da semana, os dois países trocaram ataques com mísseis, drones e artilharia na Caxemira e em áreas de fronteira. Segundo balanços oficiais, 36 civis morreram no Paquistão e 13 na Índia. Bombardeios recentes também atingiram bases aéreas paquistanesas e alvos descritos como “infraestruturas terroristas” por Nova Délhi.
Índia acusa Paquistão de violar acordo
Neste sábado, o secretário de Relações Exteriores da Índia, Vikram Misri, acusou o Paquistão de violar o cessar-fogo poucas horas após sua entrada em vigor.
“Nossas forças armadas estão dando uma resposta adequada”, afirmou.
Do lado paquistanês, o ministro da Informação, Attaullah Tarar, negou qualquer violação e disse que o país continua comprometido com a trégua.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o cessar-fogo resultou de esforços diplomáticos envolvendo “dezenas de países”, incluindo Arábia Saudita, Turquia e Estados Unidos. Ele também anunciou a reabertura do espaço aéreo paquistanês, fechado desde o início dos confrontos.
Apesar do anúncio, relatos de explosões em Srinagar e Jammu, na Caxemira indiana, levantaram dúvidas sobre a durabilidade do acordo.
Testemunhas ouvidas pela agência Reuters afirmaram ter visto clarões e projéteis no céu poucas horas após o anúncio da trégua.
Reações diplomáticas
O conflito também gerou reações diplomáticas nos últimos dias.
Nova Délhi expulsou diplomatas paquistaneses, suspendeu o principal corredor terrestre entre os dois países e congelou um acordo de compartilhamento de águas essencial à agricultura do vizinho. Islamabad retaliou com sanções e bloqueios comerciais.
Se respeitado, o cessar-fogo poderá abrir caminho para negociações mais amplas sobre a disputa histórica pela Caxemira, dividida entre os dois países desde 1947 e palco de movimentos separatistas.
A nova rodada de diálogo entre chefes militares das duas nações está prevista para ocorrer na segunda-feira.
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