Como um conglomerado passou a controlar shows, artistas e até a água do estádio
Jornalista americana revela como a Live Nation domina a indústria da música ao vivo e por que pode enfrentar a Justiça
A repórter Anne Steele publicou no Wall Street Journal nesta sexta, 2, a reportagem “Como a Live Nation está devorando a indústria da música ao vivo”.
Ela mostra como a empresa americana transformou o setor em uma máquina bilionária. “Este é o motor por trás dos grandes shows”, resume.
A Live Nation faturou 23 bilhões de dólares em 2024. Controla a Ticketmaster, a maior vendedora de ingressos do mundo, e atua em todas as etapas da cadeia — da promoção ao gerenciamento de artistas. “Eles têm participação em quase todos os cantos do setor”, diz a reportagem.
O modelo da empresa permite que lucros de um negócio sustentem prejuízos de outro.
“Eles podem perder dinheiro nos shows, porque ganham nas bilheterias, nos patrocínios e até no estacionamento”, afirma a reportagem. Essa estrutura foi apelidada pelo governo dos Estados Unidos de “modelo de roda giratória”.
A base desse sistema foi a fusão da Live Nation com a Ticketmaster, em 2010. “Houve uma reação imediata”, lembra o vídeo. “Era a maior promotora de shows se unindo ao maior vendedor de ingressos”. Hoje, a empresa atua em 390 locais de shows em mais de 50 países.
A reportagem mostra que a empresa também investe em marcas como a água Liquid Death, que virou a fornecedora exclusiva de seus eventos. “São mais engrenagens dessa roda”, resume a jornalista. De 2019 a 2024, o gasto médio com itens extras nos shows subiu de 29 para 40 dólares.
A força da empresa na venda de ingressos é um dos principais alvos da investigação.
“Se você escolhe a Ticketmaster, é mais provável que receba eventos da Live Nation”, diz o texto. O preço médio dos ingressos nos Estados Unidos quase dobrou desde 2010.
A empresa também controla a carreira de artistas.
Tem sua própria agência e investe em outras, como a Roc Nation, de Jay-Z. “Eles conseguem comprar turnês inteiras e direcioná-las a locais onde têm exclusividade na bilheteria”, revela a reportagem.
Tudo isso está sendo analisado em um processo do Departamento de Justiça dos EUA, que acusa a empresa de prejudicar a concorrência.
“Se os artistas sempre escolherem a Live Nation, não vai sobrar espaço para os independentes”, alerta um dos entrevistados.
A empresa se defende e diz que apoia mudanças que podem até reduzir seus lucros. Mas, como mostra o Wall Street Journal, seu modelo de negócios é o mais poderoso da indústria da música ao vivo — e pode agora ser sua maior ameaça.
Quem é Anne Steele
Anne Steele é uma jornalista americana do Wall Street Journal.
Especialista na indústria musical, investiga como grandes empresas moldam os bastidores dos shows e o consumo de cultura. É uma das principais repórteres do jornal nessa área.
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