Meta vai demitir mais de 2 mil moderadores de conteúdo na Espanha
Nova política de moderação gera controvérsia; justificativa é evitar parcialidade ideológica
Mais de dois mil moderadores de conteúdo que atuavam para a Meta, proprietária do Facebook e Instagram, por meio de uma empresa terceirizada na Espanha, serão desligados de suas funções.
A demissão em massa ocorre após a Meta flexibilizar suas políticas de regulação de conteúdo e encerrar o contrato com a empresa prestadora de serviços. Um plano formal para a regulamentação de empregos foi apresentado pela empresa canadense Telus International, que operava um centro em Barcelona.
O acordo de desligamento foi firmado após o cancelamento do contrato entre a Telus e o grupo californiano. Segundo os sindicatos que assinaram um acordo preliminar, as demissões ocorrerão de forma escalonada nos meses de maio, junho, julho e setembro de 2025.
Os funcionários afetados receberão a indenização máxima legalmente estabelecida, correspondente a 33 dias por ano trabalhado.
Necessários, mas nem tanto
Os moderadores revisavam conteúdo em diversas línguas, incluindo espanhol, catalão, francês, holandês, hebraico e português. Embora o acordo preliminar tenha sido assinado, o sindicato ressaltou que o setor de moderação exige o profissionalismo demonstrado por esses trabalhadores e reivindicou a criação de empregos estáveis.
A Telus International recusou-se a confirmar o número exato de demissões, mas afirmou que sua prioridade é dar suporte aos membros da equipe afetados, oferecendo assistência abrangente e oportunidades de realocação sem alterar a remuneração.
A Meta, por sua vez, declarou que o fim do contrato com a empresa não implica em redução de seus esforços para revisão de conteúdo.
A empresa de Mark Zuckerberg informou em abril que ainda conta com cerca de 40 mil pessoas trabalhando em segurança, sendo 15 mil revisores de conteúdo, e que continuaria a trabalhar com a Telus em outras localidades de sua rede mundial.
Mudanças na política de revisão de conteúdo
As demissões ocorrem em um contexto de mudanças nas políticas da Meta. Em janeiro, a empresa anunciou o fim de seu programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e atualizou sua política de moderação para excluir um número menor de publicações que poderiam violar seus padrões.
Mark Zuckerberg justificou a medida nos EUA, afirmando que os verificadores de fatos haviam sido “muito parciais politicamente”.
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