Tribunal investiga juíza que anulou mandado de prisão para Evo Morales
Conselho Judicial da Bolívia pode aplicar punição contra juíza Lilian Moreno por possível descumprimento da lei
O Conselho Judicial da Bolívia iniciou um investigação disciplinar contra a juíza Lilian Moreno, responsável por anular a ordem de captura contra o ex-presidente Evo Morales por abuso de uma menor durante seu mandato.
Em entrevista coletiva, o presidente do Poder Judiciário, Manuel Baptista, afirmou que foi determinada uma revisão da ordem constitucional emitida pela magistrada.
“O Conselho Judicial será decisivo quando uma autoridade judicial se esquivar do cumprimento da lei “, disse.
Baptista ameaçou sancionar Lilian Moreno caso fique comprovado que a decisão de anular o mandado de prisão violou a lei boliviana.
“Evidentemente, e em relação à atuação da autoridade judiciária, se foi tomada uma decisão contrária à lei, é necessário investigá-la e eventualmente sancioná-la ”, afirmou.
Morales criticou a decisão de investigar a juíza que anulou a sua ordem de captura.
“Em vez de apoiar e aplaudir os administradores da justiça que apenas aplicam a lei, as mais altas autoridades judiciais prevaricam, desrespeitam a independência dos juízes e antecipam sanções e sentenças através da imprensa“, disse.
Mandado
No ano passado, o Ministério Público ordenou a prisão do cocalero por abuso de uma menor durante seu mandato.
Morales foi acusado de ter tido um filho com uma adolescente em 2017.
Ela tinha entre 14 e 16 anos na ocasião.
Com medo de ser preso, o ex-presidente não sai da região do Trópico de Cochabamba desde outubro do ano passado.
Ele conta com a proteção de plantadores de coca, base de sua influência política e sindical.
Filiação
O ex-presidente Evo Morales afirmou que se filiará ao partido Frente para la Victoria (FPV);
Segundo o cocalero, a intenção é concorrer pelo novo grupo como “candidato único” à Presidência na eleição de 17 de agosto, após ter perdido a liderança histórica de quase 30 anos no partido Movimento ao Socialismo (MAS).
“Já temos partido para participar das eleições deste ano. Com a Frente para a Vitória venceremos novamente as eleições nacionais. Quero que saibam que não há condições, tudo aqui é para salvar a Bolívia”, disse Morales aos seus apoiadores em Cochabamba.
No acordo assinado com o FPV, o cocalero escolheria em outro momento o candidato à vice.
Segundo o líder do partido, Eliseo Rodríguez, Morales representa os valores do FPV.
A justiça boliviana, contudo, já determinou que o ex-presidente está proibido de participar da corrida eleitoral.
Em novembro do ano passado, Morales deixou de ser presidente do MAS desde que a ala apoiadora do atual presidente da Bolívia, Luis Arce, elegeu Grover García como líder do partido governista.
O Tribunal Eleitoral da Bolívia reconheceu García como novo chefe do MAS.
Na ocasião, o ex-presidente da Bolívia Carlos Mesa declarou que Morales “não tem direito constitucional de ser candidato”.
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