Aliado de Putin ameaça Ucrânia após pacto com os EUA
Medvedev ironiza acordo assinado por Trump e diz que país vizinho “vai desaparecer”
Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, reagiu com hostilidade ao acordo firmado entre Estados Unidos e Ucrânia que prevê a exploração conjunta de recursos minerais ucranianos em troca de ajuda militar.
Em publicação no Telegram, nesta quinta-feira, 1, ele ironizou o pacto, afirmando que a Ucrânia está fadada ao desaparecimento e que estaria pagando pela assistência militar americana com suas riquezas naturais.
“Trump finalmente pressionou o regime de Kiev a pagar pela ajuda americana com recursos minerais. Agora, o país que está prestes a desaparecer terá que usar sua riqueza nacional para bancar o fornecimento militar”, escreveu Medvedev.
A declaração foi feita um dia após o governo Trump anunciar a formalização de um fundo bilateral que garante ao governo americano acesso a receitas geradas pela exploração de minerais estratégicos da Ucrânia, como lítio, terras raras e titânio.
O fundo, segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, será gerido em parceria com autoridades ucranianas, com a promessa de que os lucros serão usados para financiar o apoio militar e a reconstrução do país.
A Casa Branca afirmou que o novo modelo sinaliza um compromisso com uma paz baseada na soberania e prosperidade da Ucrânia.
O pacto não impede a continuidade das negociações de adesão de Kiev à União Europeia — um dos pontos centrais exigidos pelo governo ucraniano durante as tratativas.
Imediatamente após a assinatura do acordo, Trump autorizou o envio de US$ 50 milhões em assistência militar, o primeiro pacote desde o início de seu segundo mandato.
Medvedev, que ocupa hoje um cargo secundário no sistema de poder russo, não fala oficialmente em nome do governo de Vladimir Putin, mas é utilizado com frequência para emitir declarações agressivas e ampliar a retórica de intimidação contra o Ocidente.
Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, ele tem adotado tom abertamente beligerante, com ameaças recorrentes à integridade territorial ucraniana e à segurança da Europa.
A nova declaração se insere na estratégia do Kremlin de deslegitimar o governo de Volodymyr Zelensky e reforçar a narrativa de que a Ucrânia é uma criação artificial, sustentada apenas pela presença e influência ocidentais.
O acordo com os Estados Unidos, ao vincular ajuda militar à exploração de recursos, foi apresentado por Medvedev como evidência de submissão econômica e política.
O pacto mineral não altera, por ora, a situação militar no front, mas representa uma mudança na forma como Washington estrutura seu apoio à Ucrânia, exigindo contrapartidas tangíveis e de longo prazo.
O impacto prático dessa mudança e sua aceitação interna na Ucrânia ainda não foram avaliados publicamente por Kiev.
A Rússia mantém ocupação em parte do território ucraniano desde 2014 e segue intensificando sua presença nas regiões do leste e sul do país.
As declarações de Medvedev servem como instrumento de pressão política e psicológica, mas não têm valor diplomático direto.
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Comentários (1)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
02.05.2025 12:45Mimimi