Político de estimação faz mal ao coração
Brigar com as pessoas mais próximas em nome de Lula ou Bolsonaro é o caminho para a tristeza, alerta a ciência
Os malefícios da obsessão política são óbvios, para o país e para os obcecados, mas o professor de ciências comportamentais Luiz Gaziri fez o favor de compilar os estudos científicos que demonstram os males para cada pessoa em A Arte de Enganar a Si Mesmo (Alta Books).
Autor de best-sellers como A Ciência da Felicidade, Gaziri contou a Felipe Moura Brasil e Duda Teixeira, no episódio do Podcast oa! desta semana, detalhes da pesquisa de quatro anos, que contou com 2.000 artigos científicos e visitas a 13 cientistas em universidades renomadas nos Estados Unidos, e que resultou numa “visão científica da polarização e outros males (nem tão) modernos”.
O pesquisador destacou, na conversa, que “a polarização política nos afasta do principal preditor de felicidade”.
Felicidade
“Ninguém consegue ser feliz sem ter bom relacionamento, sem ter alguém que você ama, com que você pode comemorar uma conquista, com que você pode chorar quando acontece alguma coisa ruim”, constatou, referindo-se aos desentendimentos entre amigos e familiares ocorridos nos últimos anos por questões políticas.
E os efeitos de uma mente polarizada são ainda mais profundos no corpo.
“Os cientistas demonstram que uma vida na qual eu me sinto ameaçado a todo momento faz com que a amígdala comece a crescer. Ela se torna mais reativa. Tem mais neurônios ali. Então eu vejo mais situações negativas, com muito mais facilidade”, comentou Gaziri, seguindo:
“Meu cérebro se torna especialista em ver coisa ruim, em buscar coisa ruim. A ativação da amígdala causa liberação de um hormônio chamado cortisol, que faz o batimento cardíaco ir lá para cima. O coração bate muito mais forte. As nossas veias se dilatam, para passar mais sangue e mandar todo esse sangue para nossa perna, que é um mecanismo de defesa, para o ser humano escapar de uma ameaça.”
Coração
“Se você ativa esse mecanismo de vez em quando, está tudo bem, não tem problema nenhum. Se você ativa esse mecanismo cronicamente, toda hora, se você está estressado porque você acha que alguém vai derrubar o Brasil e a gente vai virar a Venezuela… O teu coração tem uma quantidade de batidas programada, e ele vai ter uma falha antes do tempo que ele deveria ter”, concluiu.
Quer dizer, brigar com as pessoas mais próximas em nome de Lula ou Bolsonaro é o caminho para a tristeza, por mais que, por um acaso bem remoto do destino, você venha a salvar o Brasil, o mundo, os pobres, os condenados pelo 8 de janeiro de 2023 ou qualquer outro grupo em nome dos quais eles atuam.
Assista à entrevista:
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Comentários (2)
Marcia Elizabeth Brunetti
03.05.2025 09:19Eu assisti ao podcast, e é muito bom. Estou comprando o livro: A ciência da Felicidade, também dele.
Joaquim Arino Durán
01.05.2025 16:03Afinal, são dois parasitas da nossa cleptocracia.