Estudo sugere relação entre tatuagem e linfoma
A pesquisa visa elucidar questões relacionadas às alergias causadas por tatuagens e outras potenciais consequências à saúde, como o risco aumentado de câncer
As tatuagens, que embelezam a pele com pigmentos coloridos, têm chamado a atenção da comunidade científica, que investiga a migração desses pigmentos para os gânglios linfáticos e os possíveis riscos à saúde que as injeções de tinta podem acarretar.
Este fenômeno atrai cada vez mais a atenção de pesquisadores, que buscam entender o que acontece com as tintas dentro do organismo ao longo do tempo.
A pesquisa visa elucidar questões relacionadas às alergias causadas por tatuagens e outras potenciais consequências à saúde, como o risco aumentado de câncer.
As tintas utilizadas
Especialistas apontam que muitos artistas utilizam produtos importados de países sem legislações rigorosas.
O químico Urs Hauri, do Laboratório Cantonal de Basel-Stadt, observa que durante as análises são frequentemente encontrados conservantes não autorizados e impurezas nas tintas utilizadas.
Ele destaca que as substâncias utilizadas nas tintas para tatuagem não são especificamente desenvolvidas para esse fim; na verdade, muitas delas são originárias de produtos destinados à indústria automotiva ou à pintura em geral e podem conter contaminantes prejudiciais, como metais pesados.
O processo da tatutagem
Durante uma sessão de tatuagem, enquanto a agulha penetra na pele e deposita tinta sob a epiderme, o sistema imunológico da pessoa tatuada é acionado.
Células brancas do sangue são enviadas ao local da “agressão” para eliminar qualquer agente patogênico que possa ter entrado no organismo. No entanto, as células não conseguem degradar os pigmentos; em vez disso, elas os cercam e precisam conviver com eles.
Pesquisas realizadas pela especialista Ines Schreiver no Instituto Federal de Avaliação de Riscos em Berlim revelaram que alguns pigmentos acabam se alojando nos gânglios linfáticos.
Risco de linfoma
Ao misturar-se com o fluido tecidual durante o processo de tatuagem, partículas minúsculas podem ser transportadas para essas estações filtradoras do sistema linfático.
Schreiver constatou que partículas menores têm maior capacidade de migração pelo corpo, enquanto as maiores permanecem na área tatuada.
A presença dessas partículas nos gânglios linfáticos pode ser um sinal de inflamação crônica. Estudos recentes da Universidade de Lund sugerem uma ligação entre essa inflamação e um aumento no risco de linfoma.
O tamanho da tatuagem aumenta o risco?
Curiosamente, o tamanho da tatuagem não parece influenciar esse risco; até mesmo pequenas tatuagens podem apresentar um perigo semelhante às grandes obras corporais. Os pesquisadores ainda estão em busca de explicações para essa correlação alarmante.
Além disso, as evidências sobre os efeitos adversos das tatuagens na saúde permanecem escassas. Estima-se que entre 5% e 20% dos tatuados sofram reações alérgicas, mas muitas vezes essas reações são temporárias e desaparecem rapidamente.
No entanto, reações severas podem ocorrer devido a pigmentos permanentes ou seus aditivos. A pesquisa atual se concentra em identificar quais substâncias estão associadas às alergias.
Uma equipe da Universidade de Münster está analisando amostras de pele de indivíduos com alergias a tatuagens para descobrir quais componentes podem estar causando esses problemas.
Embora ainda não tenham obtido conclusões definitivas sobre os agentes responsáveis pelas reações alérgicas – especialmente aquelas ligadas a tintas vermelhas – os pesquisadores continuam investigando.
Hauri recomenda que todos os recém-tatuados mantenham um registro fotográfico dos ingredientes das tintas utilizadas. Essa prática pode facilitar a identificação de problemas futuros relacionados à saúde.
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Comentários (1)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
22.04.2025 22:32Que título ridículo. Em tom afirmativo, daí quando se vai ler a notícia, nem estudo tem ainda, somente um preconceito de algum estudioso (que não dá para chamar de cientista) com as tatuagens.