Barron: “Acontece todo ano na Páscoa, o truque é sempre o mesmo”
O bispo americano Robert Barron critica a New Yorker e diz que a revista tenta transformar a Páscoa em mito para esvaziar a fé cristã
O bispo americano Robert Barron participou do The Michael Knowles Show para comentar um artigo publicado pela revista The New Yorker neste domingo, 24, com o título “Ainda não terminamos com Jesus”.
O texto da revista questiona se os Evangelhos relatam fatos reais ou se são apenas uma adaptação de histórias pagãs antigas. Para Barron, trata-se de mais uma tentativa de enfraquecer o cristianismo às vésperas da Páscoa. “Todo ano, perto do Natal e da Páscoa, a grande imprensa aparece com críticas à fé cristã”, afirmou.
Barron se disse frustrado ao perceber que o artigo era favorável às ideias de Elaine Pagels, autora americana conhecida por suas leituras exóticas dos textos cristãos antigos.
“Foi só uma repetição de argumentos antigos, do século 19, que já foram superados há muito tempo”, disse. “O que se apresenta como novidade já foi desacreditado há décadas.”
Um dos principais alvos de Barron é a tentativa de ligar a Páscoa a rituais pagãos.
“Essa teoria, que liga a festa cristã a Ishtar ou cultos de fertilidade, foi refutada no começo do século 20”, explicou. Ele citou o escritor inglês C.S. Lewis: “Quem diz que o cristianismo é só mais um mito claramente não leu muitos mitos”.
Para o bispo, os Evangelhos se diferenciam exatamente por se situarem num tempo e lugar concretos.
“Toda missa, os católicos repetem que Jesus foi crucificado sob Pôncio Pilatos. É uma forma de deixar claro que não estamos falando de uma lenda”, disse.“Mitos não trazem nomes de governadores romanos. Os Evangelhos dizem que ele nasceu sob o governo de César Augusto, em tempos de Quirino, governador da Síria.”
“O esforço é sempre o mesmo: transformar a fé numa ideia genérica, sem impacto real, como uma lenda inofensiva”, afirmou. “Mas o anúncio cristão é: Jesus realmente ressuscitou dos mortos. Você o matou, e Deus o ressuscitou. Isso muda tudo.”
Barron respondeu também a críticas feitas por grupos religiosos que dizem que a cronologia entre a morte e a ressurreição de Jesus não fecha.
“Essa discussão ignora o essencial: a ressurreição é o ponto alto de toda a Bíblia. É o momento em que todas as promessas de Deus se cumprem”, disse. “Não há nada mais bíblico do que a ressurreição.”
Sobre o Sudário de Turim, o pano que envolveu o corpo de Jesus segundo o catolicismo, Barron afirmou que a teoria de que se trata de uma falsificação medieval perdeu força com novas pesquisas.
“Hoje, dizer que o Sudário é falso exige mais fé do que dizer que é verdadeiro”, afirmou. “Estive a poucos metros dele em 2010. É uma imagem impressionante.”
Ele também criticou as representações modernas de Jesus que mudam constantemente sua aparência. “Jesus tem um rosto. Ele não é uma ideia ou um símbolo. Eu acredito que ele se parece com o homem do Sudário.”
Barron rejeita o uso do coelhinho da Páscoa como símbolo central da celebração. “Não tenho nada contra brincadeiras infantis. Mas transformar a Páscoa em festa de primavera é a melhor forma de esvaziá-la.”
Ao final da conversa, defendeu as práticas de jejum e penitência da Quaresma. “Nossos desejos não são ruins, mas são como crianças: precisam de disciplina”, disse. “Se não forem controlados, tomam conta da casa. A gente jejua para permitir que desejos mais profundos apareçam.”
Quem é Robert Barron
Robert Barron é bispo católico americano e fundador do projeto Word on Fire, voltado à evangelização e ao diálogo com a cultura contemporânea.
É autor de livros sobre fé, teologia e cultura, e ficou conhecido por sua presença em mídias digitais. Desde 2022, comanda a diocese de Winona-Rochester, nos Estados Unidos.
- Leia também: “O que é mito ou verdade sobre o Natal” https://oantagonista.com.br/cultura/o-que-e-mito-ou-verdade-sobre-o-natal/
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