Trump posta foto de mão tatuada para acusar salvadorenho de ligação com gangue
Kilmar Abrego Garcia viveu por 14 anos nos EUA e foi deportado pelo governo americano por um “erro administrativo”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado, 19, a fotografia de uma mão tatuada com a inscrição “MS-13”, insinuando que ela pertenceria a Kilmar Abrego Garcia, imigrante salvadorenho deportado pelo governo americano por um “erro administrativo”.
“Esta é a mão do homem que os democratas acham que deveria ser trazido de volta aos Estados Unidos, porque ele é ‘uma pessoa tão boa e inocente'”, escreveu Trump. “Disseram que ele não é membro da MS-13, embora tenha a sigla tatuada nos dedos”, acrescentou.
Kilmar Abrego Garcia viveu por 14 anos nos Estados Unidos. Ele foi deportado sumariamente em março deste ano, apesar de ter permissão para viver e trabalhar no país. A medida contrariou ordens judiciais, inclusive da Suprema Corte, que exigiam que o governo americano facilitasse sua repatriação.
Em 2019, Garcia foi detido enquanto buscava trabalho em um estacionamento. Um homem o acusou de integrar a gangue MS-13, mas a denúncia não foi comprovada. Mesmo assim, a imigração levou adiante o processo de deportação com base em depoimentos.
Na época, um juiz reconheceu que Garcia correria risco de vida se fosse enviado de volta a El Salvador e lhe concedeu o status de “retenção de remoção”, proteção que o autorizava a permanecer nos EUA, embora sem direito à residência permanente. Segundo seus advogados, Garcia não cometeu infrações legais após obter o benefício e mantinha contato regular com o ICE, o serviço de imigração americano.
Visita e reação do governo salvadorenho
Na última quinta-feira, o senador democrata Chris Van Hollen, de Maryland, visitou Garcia em um hotel em San Salvador. Esse foi o primeiro contato do salvadorenho com alguém fora da prisão desde sua detenção. Inicialmente, as autoridades de El Salvador negaram acesso ao Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo), mas autorizaram o encontro fora do presídio.
Após a reunião, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, compartilhou fotos do encontro e ironizou o gesto de Van Hollen, afirmando que Garcia permaneceria no país e que ele próprio não tinha “poder” para devolvê-lo aos Estados Unidos.
A Casa Branca voltou a insistir na tese de que Garcia é membro da MS-13, apesar de ter reconhecido anteriormente que sua deportação ocorreu por “erro administrativo”.
Em nova publicação no X, o governo dos EUA escreveu: “Se ele faz tatuagens como a MS-13, bate em mulheres como a MS-13 e desrespeita a lei como a MS-13, então ele provavelmente é da MS-13”.
Documentos divulgados nesta semana revelam que Garcia foi preso em 2019, mas o caso não resultou em acusação formal. Em 2021, sua esposa pediu uma ordem de proteção alegando violência doméstica, mas posteriormente desistiu da ação, afirmando que os dois haviam resolvido a situação.
A defesa de Garcia e sua família negam qualquer envolvimento dele com organizações criminosas.
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